"A única certeza é de um Jubileu entre ruínas romanas"

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11 Outubro 2015

O jornal L'Osservatore Romano nunca escreve por acaso. Cada artigo reflete até o fim o pensamento do Vaticano. Ainda mais quando tem política no meio. Foi assim nessa sexta-feira, quando o jornal do outro lado do Tibre colocou na página toda a preocupação da Santa Sé pela cidade de Roma em vista do Jubileu: "A capital, a menos de dois meses do início do Jubileu, tem a certeza apenas das suas ruínas", escreveu sem rodeios o jornal vaticano.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada no sítio La Repubblica, 10-10-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O Jubileu já está chegando, e um governo em desordem [o prefeito romano, Ignazio Marino, renunciou na última quinta-feira] não ajuda na acolhida de milhões de peregrinos. E Roma, lembram os jornalistas dentro dos muros leoninos, "não merece tudo isso". Além de "gestos inoportunos" e da "superficialidade" do ex-prefeito da cidade, o jornal da Santa Sé observa as muitas "certezas" negativas da cidade, das infiltrações mafiosas ao "véu escuro" sobre a coleta do lixo, da ineficiência do transporte até a manutenção das ruas, que "leva a suspeita de que há muito a investigar ali também".

Informalmente, por parte da Secretaria de Estado vaticana, chegou até o Quirinal [sede do presidente da Itália] a "viva preocupação" com o despreparo para o Jubileu. Uma preocupação expressada "claramente", além do L'Osservatore, também em outros canais da Santa Sé ou não. Se, para o jornal dos bispos italianos, Avvenire, o biênio Marino foi "infausto", o bispo auxiliar de Roma, Giuseppe Marciante, na Radio Vaticana, quis "dizer com clareza como as coisas estão, porque eu acho que as pessoas realmente entenderam muito pouco por que Marino foi embora, por que ele renunciou. É preciso esclarecer, dizendo por que tudo isso aconteceu. Certamente, além disso, o Jubileu também significa a moralidade de uma cidade".

E sobre o fenômeno "Mafia Capitale", o bispo se perguntou: "É possível mudar a cor política de uma administração, mas, depois, a máquina administrativa seja sempre corrupta?". Sobre os trabalhos para o Jubileu, Dom Marciante sublinhou que "junto com o tema da viabilidade", há também "o da segurança de quem vêm para Roma. Esses são os dois grandes problemas. Os transportes, às vezes com meios decadentes, não têm quase nenhuma manutenção".

Não é segredo para ninguém que, há muito tempo, sobre o Jubileu, o Vaticano ignorou o Capitólio. Um canal de colaboração está aberto e à luz do sol com o subprefeito de Roma, Franco Gabrielli, e com o subsecretário Claudio De Vincenti. E é um canal que, apesar de tudo, permitiu que os primeiros colaboradores do papa para o Ano Santo (Dom Rino Fisichella, da Nova Evangelização, e Dom Liberio Andreatta, da Obra Romana Peregrinações) olhem com confiança para o dia 8 de dezembro, o dia da abertura do Ano Santo.

"Por que a preocupação?", responde laconicamente o arcebispo Rino Fisichella ao repórter, que, na entrada dos trabalhos do Sínodo, lhe pergunta sobre as consequências da crise administrativas romana. "São problemas políticos da Itália", acrescenta ele, sem querer fazer outros comentários.

A deterioração das relações entre Marino e o Vaticano não é de ontem. Para além das palavras de Francisco, pronunciadas com eloquente firmeza durante o voo da Filadélfia ("Eu não convidei o prefeito Marino. Claro?"), algo se rompeu definitivamente no dia em que Marino tomou a decisão de reconhecer os casamentos gays contraídos no exterior. Um anúncio que chegou um ano atrás, justamente enquanto terminava a primeira parte do Sínodo dos bispos sobre a família e as suas feridas, convocado por um papa que quer, sim, reformar profundamente a Igreja, mas quer fazer isso apenas no rastro do Evangelho.

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