Os bispos falarão sobre homossexualidade, mas não do caso Charamsa

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Por: André | 06 Outubro 2015

“São questões separadas”, limita-se a esclarecer o arcebispo Vincenzo Paglia, presidente do Pontifício Conselho para a Família. No Sínodo dos Bispos há uma concordância para manter separado “o encontro vaticano do caso midiático” do monsenhor Krzysztof Charamsa, o oficial do ex-Santo Ofício que declarou sua homossexualidade e ter, há anos, um companheiro.

A reportagem é de Giacomo Galeazzi e publicada por Vatican Insider, 05-10-2015. A tradução é de André Langer.

Do Vatileaks ao diálogo

A partir desta segunda-feira, 05 de outubro, 270 padres sinodais enfrentarão as situações de fragilidade, inclusive a homossexualidade, mas, observa o encarregado do dicastério da família, não se deve “relacionar um caso individual com uma discussão geral”. Prevalece a intenção de se concentrar nos temas indicados nos questionários dos fiéis sem desviar a discussão para uma “situação particular”.

Como um refrão, escutava-se constantemente a frase: “Falaremos livremente”. O Sínodo, observou o cardeal da cúria, “não permitirá que sua agenda seja ditada por tumultos, armadilhas: é o tempo de graça da misericórdia da Igreja em saída, não dos escândalos do ‘Vatileaks’”. Por isso, a revelação da homossexualidade de um padre não “envenena” um “verdadeiro momento histórico”.

Antes de iniciar o Sínodo, os religiosos se dizem conscientes da importância da missão que espera por eles e também motivados para defendê-la da “tempestade das vésperas”. Charamsa, diz o teólogo Gianni Gennari ao jornal italiano L’Unità, “traiu a promessa do celibato e se equivocou ao falar antes do Sínodo: assim ajuda a parte mais conservadora da Igreja, que quer criar dificuldades para o caminho renovador de Bergoglio”.

O Sínodo é um acontecimento decisivo para o Pontificado de Bergoglio, além de ser o momento crucial em que a Igreja decidirá se mudará ou conservará o que existe sobre a pastoral familiar.

Perigo de polarizações

A declaração de Charamsa não favorece o clima nem as conciliações: a discussão corre o risco de se polarizar cada vez mais, e o Pontífice terá que desempenhar seus dotes de mediador. Em meio à viva dialética entre inovadores e tradicionalistas (sobretudo em relação à comunhão aos divorciados recasados e à homossexualidade) caiu a “bomba midiática” do caso Charamsa.

Há três dias, sem nenhuma tempestade à vista nos céus do Vaticano, o secretário do Sínodo, Lorenzo Baldisseri, fez referência à hipótese de que teriam surgido algumas divisões na assembleia: “Estamos em alto mar, pode haver algumas turbulências”. Agora é preciso desmantelar a “bomba midiática”, para poder discutir sobre os problemas reais, sem cair em instrumentalizações, armadilhas e acidentes. “Faz-se história, não polêmicas”.