Indígenas sofrem atentado no Rio Grande do Sul

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Por: Jonas | 04 Agosto 2015

Na noite do último sábado (1º), na retomada da Terra Indígena (TI) Re Kuju, em Campo do Meio, município de Gentil, no Rio Grande do Sul, o vice-cacique Kaingang Isaías da Rosa Kaigõ e a liderança Deivid C. Kaigo sofreram um atentado.

A informação é publicada por Pulsar Brasil, 03-08-2015.

O vice-cacique e a liderança trafegavam de carro, do entroncamento da BR-285 em direção à comunidade Campo do Meio, quando foram emboscados e o carro alvejado por diversos tiros. Isaías da Rosa Kaigõ foi atingido na região da coluna e Deivid saiu ileso. A comunidade Kaingang prestou os primeiros socorros e encaminhou o vice-cacique ao hospital, em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul.

As lideranças da comunidade Kaingang Re Kuju comunicaram imediatamente o violento atentado para a polícia, porém não ocorreu nenhuma diligência, tampouco as polícias compareceram ao local do atentado para o levantamento dos fatos, apuração dos responsáveis pelos disparos e investigação dos motivos. As lideranças Kaingang estão formalizando denúncia junto ao Ministério Público Federal de Passo Fundo, exigindo a identificação e criminalização dos autores, que estavam numa caminhonete.

Os atentados com arma de fogo já ocorreram em outras oportunidades contra a comunidade Kaingang da TI Re Kuju. O primeiro, em dezembro de 2012, quando a casa do cacique Daniel Carvalho e de outras famílias Kaingang, na comunidade Campo do Meio, foram alvejadas por diversos disparos, inclusive de pesado calibre. Noutra oportunidade, em 2013, o próprio vice-cacique Isaías da Rosa Kaigõ sofreu um atentado, quando também teve seu carro alvejado por diversos disparos.

As lideranças indígenas têm manifestado preocupação e indignação aos constantes atos de violência que são vítimas as comunidades indígenas no Rio Grande do Sul. Os atentados sofridos atingiram e vitimaram diferentes comunidades através de atentados a tiros, assassinato de indígenas, ameaças de morte, agressão física, discriminação e preconceito social.

O Conselho de Missão entre Povos Indígenas (Comin) e o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) exigem a pronta investigação, criminalização e punição dos autores e mentores dos atentados à integridade física e disseminação do preconceito e discriminação social cometidos contra as comunidades indígenas no Rio Grande do Sul.

O Comin e o Cimi reiteram a urgência no atendimento dos governos (federal e estadual) aos direitos territoriais tradicionais indígenas, através dos processos de demarcação das terras, que se encontram paralisados em decorrência de interesses alheios ao direito ancestral, reconhecido pela constituição federal e acordos internacionais que o Brasil firmou.

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