Manifestantes do dia 12 confiam mais em Bolsonaro que em Marina Silva

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Por: Cesar Sanson | 15 Abril 2015

Os manifestantes que participaram dos protestos anti-Dilma do último domingo na av. Paulista demonstram baixa confiança em geral nos políticos, mas não deixam de sinalizar algumas preferências. Perguntados em quem "confiam muito", o militar reformado e deputado federal Jair Bolsonaro sai na frente de Marina Silva, ambientalista candidata a presidente nas últimas eleições. A preferência foi apontada por uma pesquisa coordenada por Pablo Ortellado, professor do curso de Gestão de Políticas Públicas da USP, e Esther Solano, professora de relações internacionais da Unifesp. O levantamento foi feito durante a manifestação de domingo, com 571 pessoas.

A reportagem é de Marina Rossi, publicada por El País, 14-04-2015.

De acordo com o estudo, 19,4% confiam muito em Bolsonaro, e 14,7%, em Marina Silva, enquanto o governador paulista, Geraldo Alckmin (29,10%), é o melhor posicionado no quesito, com 29,10%. Alckmin ganha de seus companheiros de partido: o senador por São Paulo José Serra (24%) e o senador e ex-candidato à presidência Aécio Neves (22,60%) _outros 48,8% dizem que confiam pouco no mineiro, que tenta se aproximar das lideranças dos protestos. Dilma Rousseff (96,7%) e Lula (95%) tiveram o maior percentual de falta de confiança dos manifestantes.

O estudo revela a descrença dos manifestantes nos partidos, políticos e na imprensa. De maneira geral, 73% não confiam nos partidos, 70% não confiam nos políticos e 57% confiam pouco na imprensa. “Isso significa uma descrença meio que geral”, diz Pablo Ortellado.

Algumas informações consideradas boatos pelos coordenadores da pesquisa, já que não há provas sobre elas, também foram medidas. A conclusão foi que 71% concordam com a afirmação que "Fabio Luis Lula da Silva, o Lulinha, é sócio da Friboi", o que levantaria a suspeita de uma ligação não muito clara do ex-presidente Lula com a empresa. Ainda, 56% creem que "o Foro de São Paulo (agremiação de alguns partidos de esquerda da América Latina criada na década de 90) quer criar uma ditadura bolivariana no Brasil"; 53% acham que "o Primeiro Comando da Capital (PCC) é um braço armado do PT", e 42% concordam que "o PT trouxe 50.000 haitianos para votar na Dilma nas últimas eleições".

Esse levantamento serviu também de termômetro para medir algumas opiniões dos participantes do movimento anti-Dilma: Em perguntas fechadas, 64% acham que "o PT quer implantar um regime comunista no Brasil", 85% acreditam que "os desvios da Petrobras são o maior caso de corrupção da história do Brasil", 71% acham que "cotas nas universidades geram mais racismo" e para 60,4% dos manifestantes, "o Bolsa-Família só financia preguiçoso".

Dentre os partidos, o PT apareceu com o percentual mais de desconfiança: 96% afirmaram não confiar, seguido do PMDB (82%). Alinhados com um discurso à direita, os manifestantes disseram confiar tanto no PSOL (1,9%), partido de esquerda, da candidata à presidência Luciana Genro, quanto no PMDB (1,4%) de Eduardo Cunha. “Esse é mais um fator que aponta para um descrédito total das pessoas”, diz Ortellado.

Avaliação dos mobilizadores

Por outro lado, a confiança nos movimentos sociais, se mostrou maior que nos partidos. Segundo o levantamento, 30,5% confiam muito nos movimentos, de maneira geral. O 'Vem pra Rua' ficou em primeiro lugar: 71% afirmaram confiar muito nesse movimento, contra 52,7% para o Movimento Brasil Livre (MBL). Enquanto 79% não confiam no Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), 25% confiam muito no Movimento Passe Livre. Para Ortellado, dois fatores explicam essa confiança no movimento que luta pela tarifa zero no Brasil: “O MPL é uma força genuinamente e legitimamente apartidária”, diz. “Além disso, as pessoas só estão nas ruas por conta das manifestações de junho de 2013, e quem levantou esse movimento foi MPL.”

No âmbito da imprensa, a polêmica âncora do Jornal do SBT, Raquel Sherazade, conhecida por defender a "justiça com as próprias mãos", foi apontada pelos manifestantes (49,5%) como a figura em quem eles mais confiam. Por outro lado, William Bonner, apresentador e editor-chefe do Jornal Nacional, aparece com o maior índice dos que ‘não confiam’: 27,7%. Da mesma maneira, o Jornal Nacional é o veículo em que menos confiam (37%), e revista Veja, em quem mais confiam (52%). Confiam muito no EL PAÍS 9,5%, e 14,7% não confiam, sendo que 58,5% afirmaram não conhecer este veículo.

Ainda que o número de manifestantes tenha sido alto no último domingo, a redução da quantidade de gente nas ruas, segundo diz Ortellado, não tem grande significado. “O processo de mobilização social tem essa dinâmica”, diz. “Para você manter uma mobilização ascendente, é preciso haver um fato político”. Segundo ele, mobilizar as pessoas é uma dificuldade inerente tanto da esquerda, quanto da direita.

A pesquisa ouviu 571 pessoas entre as 13h30 e as 17h30 do domingo em toda a extensão da Avenida Paulista. Segundo levantamento, a maioria dos manifestantes eram homens (52,7%), brancos (77,4%), com nível superior completo (68,5%) e com renda entre 7.880 reais e 15.760 reais (28,5%).

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