Müller sugere uma nova tarefa para a Congregação para a Doutrina da Fé

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Por: André | 08 Abril 2015

O cardeal Gerhard Ludwig Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em uma das muitas entrevistas que concedeu nas últimas semanas e que se concentram sobre o próximo Sínodo, falou de uma nova tarefa para o seu dicastério. Uma tarefa que nunca foi mencionada nos documentos que descrevem as competências precisas do ex-Santo Ofício.

A reportagem é de Andrea Tornielli e publicada no sítio Vatican Insider, 07-04-2015. A tradução é de André Langer.

O cardeal alemão, em uma entrevista concedida ao jornal francês La Croix, declarou: “A chegada à Cátedra de Pedro de um teólogo como Bento XVI é provavelmente uma exceção. João XXIII também não era um teólogo de ofício. O Papa Francisco também é mais pastor e a Congregação para a Doutrina da Fé tem uma missão de estruturação teológica do Pontificado”. Assim, pois, segundo a declaração de Müller, o ex-Santo Ofício deve “estruturar teologicamente” o Pontificado do Papa Francisco. E é provável que este seja um dos motivos pelos quais o prefeito intervenha tão frequentemente em público, algo sem precedentes na história.

Trata-se de uma significativa novidade, posto que segundo o artigo 48 da Constituição Apostólica sobre a Cúria Romana Pastor Bonus, promulgada por João Paulo II em 1988, “o trabalho próprio da Congregação para a Doutrina da Fé é promover e tutelar a doutrina da fé e os costumes em todo o orbe católico”.

Ao passo que o Papa “por vontade do próprio Cristo”, como recordou também Francisco durante o encerramento do Sínodo de 2014, é o “Pastor e Doutor supremo de todos os fiéis” (cânon 749). Até poucas décadas atrás (o último que o havia feito foi Paulo VI) era o próprio Pontífice que presidia pessoalmente a Congregação para a Doutrina da Fé, justamente em razão desta tarefa que só recai sobre o Pontífice, em virtude do primado petrino. Um primado que pertence ao Bispo de Roma: presidir “na caridade” e, caso surgissem, também dirimir questões teológicas.

As palavras do cardeal Müller, com a introdução da inédita e até agora não formalizada tarefa de “estruturar teologicamente um Pontificado”, passaram quase despercebidas. Mas, se por um lado abrem cenários novos com respeito à tradição da Igreja, por outro lado, parecem dar a entender que, segundo Müller, o atual Pontificado (assim como o de São João XXIII) não tem suficiente “estrutura” teológica.