Produção de energia com resíduos da agropecuária

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18 Março 2015

O Brasil possui condições vantajosas para produzir energia, mas a recomendação é de que não sejamos dependentes de fontes não renováveis como o petróleo, o gás natural, o urânio ou do carvão mineral.

A reportagem é de Eliana Cezar, da Embrapa Gado de Corte, publicada por EcoDebate, 17-03-2015.

Necessitamos buscar fontes renováveis de energia. No Brasil, a biomassa é a principal fonte de energia renovável. Ela gera calor, energia elétrica e pode ser transformada em biocombustível sólido como briquetes, resultante da compactação de resíduos vegetais, por exemplo. Como somos um dos maiores produtores agrícolas e florestais do mundo, a quantidade gerada de biomassa residual pode e deve ser melhor aproveitada, especialmente na forma de briquetes e péletes.

Os briquetes podem ser produzidos a partir de qualquer resíduo vegetal, explica o pesquisador da Embrapa Agroenergia, José Dilcio Rocha, que participa da Dinapec 2015. Em sua apresentação feita para um público formado por professores, universitários, estudantes, produtores e empresários ele explica em detalhes como os briquetes são feitos, suas vantagens, utilização e investimento para produção.

Dentre os materiais utilizados para produzir os briquetes o pesquisador cita a serragem e restos de serraria, casca de arroz, sabugo e palha de milho, palha e bagaço de cana-de-açucar, casca de algodão, casca de café, soqueira de algodão, feno ou excesso de biomassa de gramíneas forrageiras, cascas de frutas, cascas e caroços de palmáceas, folhas e troncos das podas de árvores nas cidades.

Os briquetes possuem diâmetro superior a 50 mm e substituem a lenha em muitas aplicações, inclusive em residências (lareiras e churrasqueiras), hotéis (geração de vapor) em indústrias (uso em caldeiras) e estabelecimentos comerciais como olarias, cerâmicas, padarias, pizzarias, lacticínios, fábricas de alimentos, indústrias químicas, têxteis e de cimento. Do ponto de vista econômico, o pesquisador alerta para a realização de um plano de negócio, já do ponto de vista ambiental ele afirma que a tendência é se tornar um bom ou excelente investimento.

No Brasil são produzidos cerca de 1,2 milhão de toneladas de briquetes por ano. Destes, 930 mil toneladas são de madeira e 272 mil toneladas de resíduos agrícolas. A taxa de crescimento da demanda de briquete é de 4,4% ao ano, o que demonstra a importância potencial no mercado de energia renovável, atesta o pesquisador. Ele afirma também que nosso país possui condições vantajosas para produzir com sucesso briquetes como também péletes, outro substituto da lenha em muitas aplicações. “A prática é excelente opção para vários setores produtivos agregarem valor aos resíduos que hoje são subaproveitados”.

Fábrica de briquetes demonstra linha de produção para visitantes

A oficina sobre briquetes incluiu a visita a uma empresa de Campo Grande, MS, que produz briquetes, a Eco Esfera Indústria e Comércio de Artefatos de Madeiras. No local os visitantes tiveram a oportunidade de acompanhar a linha de produção, ver o funcionamento das máquinas, etapas da fabricação e tirar dúvidas com o proprietário Glauco Silva, um adepto da preservação do ambiente. O briquete tem alto poder calorífico e produz pouca fumaça, diz Glauco. “É um produto 100% reciclado e é feito de madeira com baixo teor de umidade. Produzimos o industrial feito em forma de bolachas e o em forma de tarugos de 5 a 10 centímetros de diâmetro e 40 centímetros de comprimento, para utilização em fornos de padarias e pizzarias e também para uso doméstico. É um combustível ecologicamente correto, substituindo a lenha”. Segundo ele, o poder de calor do briquete é de 5000 Kcal/kg e o da lenha 750 kcal/kg e 1tonelada de brinquete corresponde a três árvores altas preservadas ou 7 metros cúbicos de madeira.

Participantes da oficina de briquetes na Dinapec ficaram satisfeitos com as apresentações e a programação do evento. “Divulgar esta tecnologia de aproveitamento de resíduos é importante”, disse Brenda Farias, estudante de zootecnia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, que igualmente com outras 12 universitárias ficaram surpresas com a visita à fábrica Eco Esfera. “Foi muito bom assistir a palestra e ver de perto o processo de fabricação dos briquetes, disse Brenda, que não sabia da existência em Campo Grande de uma fabrica de lenha ecológica”. Fábio Alexandre, gerente da Agropecuária AGRO HB, também saiu da Dinapec com boa impressão. “Fiz a inscrição nesta oficina porque tenho interesse em fazer este tipo de aproveitamento na fazenda”. Já o engenheiro mecânico e professor da Universidade Federal da Grande Dourados, Antonio Carlos de Souza, lamentou não ter divulgado mais o evento entre os colegas. Ele aproveitou para levar uma publicação técnica da Embrapa sobre produção de briquetes e uma amostra do produto para apresentar aos seus alunos do curso de engenharia de energia.

O pesquisador da Embrapa Agroenergia, José Dilcio, que ministrou a oficina de briquetes pela primeira vez na Dinapec gostou da receptividade do público. Disse que a Dinapec é aconchegante e uma feira tecnológica interessante e que a Embrapa tem tudo para dar um salto ainda maior neste tipo de ação.

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