O hábito faz a crise

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

Por: Cesar Sanson | 23 Janeiro 2015

“O consumo de água não para de crescer no Brasil. A média em 2013 foi de 166,3 litros por habitante a cada dia. A recomendação da Organização Mundial de Saúde é 110 litros por habitante/dia”.  O comentário é de Paula Cesarino Costa, jornalista, em artigo publicado no jornal  Folha de S.Paulo, 22-01-2014.

Eis o artigo.

"Cada vez que eu abro a torneira ou uso a descarga, na minha casa ou no trabalho, me vem à mente uma represa com seu nível caindo pouco a pouco."

A crise de consciência acima foi admitida pelo presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, em entrevista ao "Valor". Trabuco rejeitou o convite para ser ministro da Fazenda para não se afogar nos números ruins da economia, mas, vivendo em São Paulo, sofre com o cotidiano da maior crise hídrica de todos os tempos.

O consumo de água não para de crescer no Brasil. A média em 2013 foi de 166,3 litros por habitante a cada dia. A recomendação da Organização Mundial de Saúde é 110 litros por habitante/dia. No Rio, o índice é escandalosamente maior: 253 litros por habitante/dia. Só o calor explica?

Neste verão de recordes, quantos banhos você toma por dia? Desliga a água enquanto escova os dentes ou lava o cabelo? Se o desperdício de cada um é grande, imagine o público.

Quantas ruas estão vertendo água por vazamento na rede? O país perde 37% da água tratada.  Uma crise constrói outra. De 2000 até 2013, o consumo de energia cresceu 51%. Só houve queda em 2001, ano do racionamento, e em 2009, com a crise econômica mundial.

Já buscou saber quanta energia consomem os aparelhos eletrônicos mantidos em stand-by o tempo todo? É preciso deixar o celular carregando por toda a noite ou basta meia hora? Quantas vezes já viu um prédio com luzes acesas e ninguém dentro?

Os governos menosprezam o tema. Não se ouve falar de políticas consistentes de redução desses desperdícios e de conscientização. As críticas estridentes e necessárias vão para falta de planejamento, falta de investimento e falta de gerência.

Mas refletir sobre os hábitos é uma forma de exercer consumo consciente. Toda mudança começa ao redor de quem as deseja. Quase ninguém é monge, mas o hábito faz a crise.