Mais de 1,5 milhão de mártires armênios em 1915, canonizados 100 anos depois

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12 Janeiro 2015

Há um século, o "triunvirato" à frente do governo turco se preparava para dar início ao genocídio dos armênios (e das outras minorias cristãs do Império). A trágica ironia da história é que, exatamente um século depois, essas mesmas regiões veem uma nova perseguição contra os cristãos, realizada em nome do Islã por fundamentalistas armados e financiados pelos países do Golfo, com a cumplicidade de Ancara e do Ocidente.

A nota é de Marco Tosatti, em seu blog San Pietro e Dintorni, 10-01-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

No genocídio armênio, o primeiro do século dos genocídios, morreram centenas de milhares de pessoas. E os 100 anos desde o início da tragédia serão marcados pela maior canonização de massa que já ocorreu.

A Igreja Apostólica Armênia, cuja sede é na Armênia, em Echmiadzin, irá proclamar o martírio de um milhão e meio de homens, mulheres e crianças mortos em 1915 e nos anos seguintes. O anúncio é da agência Aleteia, citando uma carta encíclica do patriarca da Igreja Apostólica, Karekin II. A cerimônia irá ocorrer no dia 23 de abril.

No dia 24 de abril de 1915 começou, o genocídio, com prisões, violências e devastações realizadas em Constantinopla.

As comemorações se estenderão por todo o ano, disse Karekin II, especificando que "cada dia de 2015 será um dia de lembrança e de devoção ao nosso povo, uma viagem espiritual ao memorial dos nossos mártires".

"Em 1915 e nos anos seguintes – lembra o patriarca na sua carta –, um milhão e meio de nossos filhos e filhas sofreram a morte, a fome, a doença, foram deportados e forçados a caminhar até a morte."

O patriarca lembra também que a Turquia – desde os tempos do laico Ataturk até o islâmico Erdogan – não só não reconhece o genocídio, mas também realiza uma obra ativa de negacionismo. Karekin II falou de "negação criminosa da Turquia".

"O sangue dos nossos mártires inocentes e os sofrimentos do nosso povo gritam por justiça", escreveu o patriarca, que, 100 anos depois da tragédia, denuncia os "santuários destruídos, a violação dos nossos direitos nacionais, a falsificação e a distorção da nossa história".

Nos últimos dias, a Grécia impediu o ingresso no país do "Talat Pasha Committee", um grupo nacionalista turco que queria protestar contra uma lei aprovada pelo parlamento grego, em setembro, que torna mais pesadas as punições para quem é culpado de negacionismo em relação aos genocídios e aos crimes de guerra.

O Talat Pasha é considerado um dos maiores idealizadores e organizadores do genocídio armênio. Para a sensibilidade armênia, ele representa aquilo que Hitler ou Himmler poderiam ser para os judeus. O comitê queria protestar contra a lei, mas, na chegada em Atenas, foi obrigado a tomar o primeiro voo de volta para a Turquia.

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