Uma ''tesourada'' nos purpurados curiais e mais espaço às periferias do mundo

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07 Janeiro 2015

Antes que das estatísticas e das análises sobre os percentuais, o sinal da mudança no próximo consistório chegou muito claro durante a leitura dos nomes dos novos purpurados: a maior parte deles absolutamente imprevistos e imprevisíveis.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada no jornal La Stampa, 05-01-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Pastores das periferias do mundo, em muitos casos, bispos de dioceses que nunca tinham tido um cardeal. É o sinal de que o Papa Francisco pretende continuar no caminho iniciado há um ano: diminuir os purpurados curiais (no dia 14 de fevereiro, cairão de 30% para 27%), pôr fim a qualquer automatismo no que diz respeito às sedes mais ambicionadas, chamadas de "cardinalícias", cujo titular, certamente, por uma tradição não escrita, devia receber o barrete. E, acima de tudo, dar espaço ao Sul do planeta, manifestando cada vez mais a universalidade da Igreja.

A lista parece ser uma escolha muito pessoal do papa: os novos purpurados ficaram sabendo da sua designação pela televisão. O italiano Edoardo Menichelli foi avisado por um amigo por telefone e pensava que era uma piada. O idoso arcebispo sardo Luigi de Magistris, aluno do cardeal Ottaviano, estava na catedral de Cagliari confessando os fiéis. Outros escolhidos custavam a acreditar nos jornalistas que lhes pediam um comentário. Não vazaram indiscrições. Até mesmo o tempo do anúncio pegou muitos de surpresa.

É evidente que Francisco deseja redesenhar o futuro conclave, associando ao colégio eleitores pastores na vanguarda em situações difíceis, em terras de fronteiras como Tonga e Myanmar, em regiões dilaceradas pela violência como Morelia, no México, às vezes Igrejas pequenas ou que vivem em situações de minoria.

Na Itália, mais uma vez, são preferidos aos bispos das dioceses maiores de Turim ou de Veneza os pastores de Igrejas mais periféricas: Menichelli, de Ancona, e Francesco Montenegro, de Agrigento. O primeiro circulou por todas as partes da diocese dirigindo um velho carro Panda e, há anos, começou percursos de proximidade às situações de fragilidade matrimonial. O segundo é bispo de Lampedusa, envolvido com o drama dos imigrantes.

Os 15 novos cardeais eleitores, com menos de 80 anos, provêm de 14 países (tornam-se 18, se acrescentarmos os cinco forasteiros que, por idade, não têm mais direito a entrar no conclave).

No caso de eleição de um novo papa, o colégio eleitoral será menos curial e menos europeu, mesmo que na lista anunciada no domingo os eleitores europeus sejam cinco, os asiáticos três, os latino-americanos três, os africanos dois, e os da Oceania dois.

Nenhum barrete vermelho para os EUA e o Canadá, mas a América do Norte já está bem representada (o número dos seus eleitores permanece estável). Permanecem sem o chapéu tanto o arcebispo de Chicago, Blaise Cupich, quanto o de Madri, Carlos Osoro, recentemente nomeados pelo Papa Bergoglio e considerados particularmente próximos da sua sensibilidade.

Francisco, portanto, quis fazer valer para todos, também desta vez, a regra não escrita de fazer esperar aqueles cujo antecessor está emérito mas tem menos de 80 anos e, portanto, é votante em caso de conclave.

A inclusão do curial Mamberti, natural da Córseca, prefeito da Signatura Apostólica, que, por causa da idade ainda jovem para os padrões vaticanos também poderia ter pulado um turno, indica que Francisco não se distancia daquilo que foi estabelecido pelas normas de Wotjyla. Os que têm direito à púrpura, na Cúria bergogliana, até agora a obtiveram. Enquanto não a obtiveram mais os titulares dos Pontifícios Conselhos, que serão objeto de uma profunda reforma. A Cúria contará menos na eleição do papa.