25 Novembro 2014
"A intenção do papa é bonita, mas o resultado é o de criar confusão: agora, as pessoas pensam que não têm mais que contribuir economicamente com a paróquia." O padre Cristiano Marasca, pároco da basílica catedral de San Settimio Bispo e Mártir, de Jesi, na província de Ancona, Itália, evidencia que a manutenção dos sacerdotes é "tarefa da comunidade".
A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada no sítio Vatican Insider, 23-11-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
E acrescenta: "Esse é o princípio geral. Além disso, na Itália, para o sustento do clero, há a contribuição de um instituto central, uma parte do otto per mille [imposto italiano distribuído entre o Estado e as diversas confissões religiosas] e as ofertas para as missas."
A advertência do papa, na homilia da última sexta-feira de manhã, em Santa Marta, contra a tentação de fazer comércio com os sacramentos, foi relançada também pelo cardeal Angelo Bagnasco, presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI), que, em Gênova, lembrou que "as ofertas que os fiéis pretendem dar de forma livre" não podem ser consideradas como um pagamento dos sacramentos, mas como "um modo para contribuir com as necessidades materiais da Igreja".
De sua parte, o porta-voz e subsecretário da CEI, Domenico Pompili, sublinhou que os párocos sabem muito bem que "eventuais ofertas podem ser aceitas para a caridade, mas nunca pretendidas, porque os sacramentos não são mercadoria de troca". Por isso, "qualquer leitura que contraponha as palavras de Bagnasco ao papa é enganosa, porque o cardeal pretende reiterar a convicção expressada por Francisco sobre o fato de que não se faz comércio com as coisas sagradas". Nenhum perigo de simonia, portanto: o pároco da catedral não tem dúvidas disso.
Eis a entrevista.
Há um tarifário das missas?
As Conferências Episcopais regionais estabeleceram a oferta para as missas de sufrágio: 10 euros. Para os sacramentos, inúmeros textos nas livrarias indicam as ofertas aconselhadas para um casamento: de 300 a 600 euros. Estas, nos textos, são indicações que ajudam a preparar os aspectos práticos do casamento, não só religioso, mas também civil em comum.
E para os de "fora da paróquia"?
O valor aumenta para quem vem de fora da paróquia, para desencorajar a procura de igrejas como estúdios fotográficos. Sou o pároco da catedral. Alguns celebram o sacramento aqui pelo prestígio da ambientação. Eu entrego uma carta em que explico como, depois, serão utilizadas as ofertas para manter as estruturas, para ajudar os pobres e desenvolver as atividades de catequese. Outros já apresentam um boleto postal pré-impresso com o valor fixado.
Como a intervenção do papa pode afetar?
A intenção do pontífice é compartilhável, mas, na opinião pública, cria o mal-entendido de que, a partir de agora, não é mais necessário fazer ofertas e ajudar a paróquia. Acontece que, para um funeral, as pessoas dão 20 euros, enquanto só para aquecer a basílica no inverno são necessários 50. Ou que os casais gastem 2.000 euros em fogos de artifício e, depois, se esqueçam da oferta para a igreja.
O que confunde os fiéis?
As pessoas ouvem na TV as palavras do papa e pensam que não devem mais contribuir de forma alguma. É um pouco como aconteceu em outubro, com o debate no Sínodo dos bispos sobre os divorciados em segunda união. As pessoas pensam que as normas mudaram e esperam receber a comunhão. E depois cabe a nós explicar que não é assim. Para as ofertas, tenhamos em mente qual é a situação caso a caso. Há quem possa se permitir um valor e quem não. Nas conversas antes do casamento, eu tento explicar aos futuros esposos. Mas nem sempre é suficiente.