Custo da violência no país atinge R$ 258 bi em 2013

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11 Novembro 2014

O custo da violência no Brasil no ano passado foi de R$ 258 bilhões, o que equivale a 5,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Com isso, o investimento em segurança pública cresceu 8,65% em relação ao ano anterior. Os dados fazem parte do 8º anuário de segurança pública, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública Essa é a primeira vez que o anuário inclui dados sobre os custos da violência.

A informação é publicada pelo jornal Valor, 11-11-2014.

A maior parte do valor gasto em 2013 refere-se à perda de capital humano (mortes e invalidez): R$ 114 bilhões. Também entram na conta R$ 39 bilhões de gastos com contratação de serviços de segurança privada, R$ 36 bilhões com seguros contra roubos e furtos e R$ 3 bilhões com o sistema público de saúde. A soma dessas despesas - R$ 192 bilhões em 2013 - é classificada como "custo social da violência".

O valor pode ser maior, já que gastos com pessoas que ficaram inválidas em razão da violência, por exemplo, não entraram no cálculo. Para completar os dados, há o gasto de R$ 4,9 bilhões para manter prisões e unidades de cumprimento de medidas socioeducativas e investimentos públicos de R$ 61,1 bilhões em segurança.

Dados do anuário também revelam que os policiais brasileiros mataram, entre 2009 e 2013, uma média de seis pessoas por dia pelos ruas do país. Foram ao menos 11.197 óbitos provocados por policiais nesses cinco anos, mais do que a polícia americana matou ao longo de 30 anos (11.090).

De acordo com o levantamento, a tropa mais letal do país está no Rio, seguido por São Paulo e pela Bahia. Embora continue liderando o ranking de mortes, o que ocorreu em quase todos os demais anos pesquisados, a polícia fluminense reduziu para menos da metade a quantidade desse tipo de homicídio.

Em 2009, os homicídios no Rio provocados por policiais em serviço chegaram a 1.048 registros, 54% de todas as mortes praticadas pela polícia do país naquele ano. Em 2013, esse número caiu para menos da metade, com 416 registros, o que representa 20% das mortes em intervenção policial. Em 2012, chegou a ficar atrás de São Paulo. Os policiais cariocas mataram 419, enquanto os paulistas mataram 583.

Em 2012, a Polícia Militar paulista enfrentou uma guerra não declarada com o crime organizado (com baixas dos dois lados), o que elevou os índices de homicídio em todos os tipos.

Para a diretora-executiva do Fórum, Samira Bueno, a melhor notícia do anuário é a redução dos números no Rio. "A única notícia boa desse cenário são os dados cariocas. Desde a implantação das UPPs, o Rio de Janeiro tem tido uma redução expressiva de letalidade. A única notícia boa desse cenário extremamente triste. Seis pessoas mortas por dia é muita coisa."

O Estado de São Paulo até poderia receber elogios semelhantes, já que as mortes por intervenção policial caíram de 566 para 364 em cinco anos (queda de 36%). Esse bom desempenho acaba prejudicado pelo aumento de quase 40% dos homicídios praticados por policiais no horário de folga.

A maioria dos Estados não tinha, até pouco tempo, controle ao menos das mortes praticadas por policiais de serviço. Apenas 11 das 27 unidades federativas conseguiram apresentar essa contabilidade solicitada pelos pesquisadores do fórum.

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