''Vamos encontrar uma boa solução.'' Entrevista com Walter Kasper

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30 Outubro 2014

A questão pastoral dos divorciados em segunda união surgiu ainda nas discussões em preparação para o Sínodo, depois da introdução do cardeal Walter Kasper no Consistório dos dias 20 e 21 de fevereiro passado. Kasper, eminente teólogo, é presidente emérito do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

A reportagem é de Aurelio Molè, publicada no sítio da revista Città Nuova, 27-10-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

O senhor esteve na vanguarda das discussões em torno do Sínodo. Qual a sua avalição?

A minha avaliação é muito positiva. Foi uma troca muito fraterna, porque, substancialmente, existe unidade no episcopado, e é normal que haja um debate sobre alguns pontos. Criou-se uma atmosfera nova como nos tempos do Concílio. Mesmo nas questões mais discutidas, como as que se referem aos separados, aos divorciados, aos homossexuais, alcançamos uma maioria qualificada, embora relativa. Não estou desapontado. Acho que agora está claro que as questões estão sobre a mesa, devem ser discutidas, aprofundadas, devem amadurecer. Não foi decidido nada, mas foi um passo.

Na sua opinião, que passos foram dados em relação ao cuidado das famílias em sofrimento?

O discurso do papa no fim do Sínodo mostrou que ele quer seguir em frente, quer uma solução pastoral. Eu tive a sensação de que o chamado efeito-Francisco está crescendo no episcopado. Fala-se mais de misericórdia, há uma nova abordagem aos problemas, quer-se atuar pelas pessoas, estar com as pessoas. Começamos com os problemas, mas depois queremos acompanhar, não só com uma doutrina abstrata. Acho que haverá frutos bons no próximo ano.

No episcopado, essas temáticas encontraram uma abertura...

Não em todos. Persistem dúvidas, perplexidades. É um direito deles, e é normal que haja um debate como também ocorreu durante o Concílio Vaticano II. Eu tenho a impressão de que, no fim, com uma boa maioria, encontraremos uma boa solução rumo a uma abertura responsável, porque no episcopado católico está crescendo a ideia de misericórdia.

O senhor propôs a absolvição para os divorciados recasados civilmente, mas foi reiterado, também por outros cardeais, que os divorciados permanecem em um estado de pecado grave, razão pela qual, portanto, não podem receber a absolvição. Não se compreende como se pode sair disso...

É o argumento central daqueles que se opõem. É preciso discutir sobre esse ponto, mas, pessoalmente, eu diria que, se alguém se arrepende do que fez, já faz tudo o que é possível na sua situação concreta. Eu não teria a coragem de falar de um adultério permanente. São as minhas perguntas, mas é preciso aprofundar. Na pastoral, muitos párocos nos confessionários já oferecem uma certa solução pastoral. Sem abandonar a doutrina, mas aprofundando-a, é preciso encontrar não uma mudança, mas um desenvolvimento doutrinal.