Que o Sínodo seja um lugar de diálogo, pede teóloga

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Por: André | 16 Setembro 2014

No Sínodo Extraordinário sobre a Família, que acontecerá no Vaticano de 05 a 19 de outubro, serão necessários “um diálogo e um intercâmbio aberto e sincero”, que concretizem o princípio da colegialidade entre os bispos próprio do Concílio Vaticano II e que ajudem os padres a escutar “sugestões” e “críticas” dos fiéis leigos. É o que espera Aldegonde Brenninkmeijer-Werhahn, teóloga e socióloga holandesa (que estudou em Dortmund, Alemanha, e em Lovaina, Bélgica), além de fundadora e diretora da International Academy for Martial Spirituality (Intams) de Bruxelas, e, desde 2005, professora da Universidade Católica de Lovaina, um “think tank” católico que dedicou uma publicação aos temas do próximo Sínodo com textos de especialistas de todo o mundo. Trata-se da comunhão aos divorciados recasados, do tema dos casais homossexuais ou das dificuldades de muitos fiéis em relação aos anticoncepcionais, indicou Brenninkmeijer-Werhahn, ela que espera uma atitude profunda de “imaginação, liberdade e amor”: “Devemos ter cuidado para não desperdiçar o nosso tempo nem as nossas energias em disputas internas”. E discernir, como disse o Papa Francisco, “o que realmente vem de Deus”.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi e publicada no sítio Vatican Insider, 13-09-2014. A tradução é de André Langer.

“Uma vez mais, o Papa surpreendeu a muitos fiéis com seu extraordinário dom de ser capaz de abrir a Igreja para uma questão de enorme interesse, ou seja, a família e o casamento”, afirmou a teóloga, que expressou também sua esperança em que no Sínodo Extraordinário se distinga muito claramente a função da primeira semana da segunda semana: primeiro, discutir abertamente, em grupos de trabalho, que poderão ser divididos segundo a pertença continental ou por línguas; depois, fixar a agenda concreta para o Sínodo de 2015. Este proceder “aumentaria as possibilidades de um intercâmbio e um diálogo aberto e sincero, evitando que a visão europeia sobre o casamento e a vida em família se imponha como norma”.

O que Brenninkmeijer-Werhahn espera é que em outubro se crie “uma base entre os bispos para uma reflexão antes de tudo sobre a colegialidade, a sinodalidade e a subsidiariedade, em linha com o Vaticano II”. Depois deveria seguir um “caminho mundial de reflexão, diálogo e trabalho comum com base na agenda do segundo sínodo”.

O primeiro passo para este “sensus fidei” foi o questionário que a Secretaria do Estado enviou às dioceses de todo o mundo, “muito apreciado em todo o mundo católico”. Muitos bispos e muitas Conferências Episcopais divulgaram-no capilarmente, para que fosse discutido e para que circulasse, mas também houve algumas Conferências Episcopais que preferiram “responder ao questionário sem envolver muito os leigos, recopilando somente as respostas do clero”, decisão “deplorável”, uma vez que “o tema do sínodo envolve diretamente a vida dos casais e das famílias”.

Brenninkmeijer-Werhahn não evitou temas espinhosos, a partir da comunhão aos divorciados recasados. A Igreja ortodoxa, assim como a latina, mantém a indissolubilidade do casamento, mas desenvolveu uma prática baseada na própria tradição secular, de “dar a bênção” às segundas ou terceiras núpcias. Não se trata de um “superficial prêmio de consolação” e é precedida por um “intenso período de penitência, reflexão e perdão recíproco”. Seria, pois, “muito útil” que a Igreja latina refletisse novamente sobre o significado da doutrina da indissolubilidade e sobre “a importância de um acompanhamento pastoral apropriado”.

Em relação à crise da família, na sociedade contemporânea e na história, “prestamos muita atenção às características imperfeitas, débeis e pecaminosas que podem existir em uma família?” E a esta questão soma-se outra igualmente profunda: “Os bispos e pastores aceitam as sugestões e as críticas dos fiéis leigos? Um problema na esfera eclesial é que cultivamos durante muito tempo uma forma de pensar vinda do alto, em vez de reconhecer também um enfoque de baixo para cima”.

Aldegonde Brenninkmeijer-Werhahn considera que a Evangelium Vitae “não pode ser descartada, posto que contém muitas afirmações importantes sobre a fé. Mas a questão é (citando o Papa Francisco, no ponto 119 da Evangelii Gaudium), se discernimos o suficiente sobre o que vem verdadeiramente de Deus. E isto é possível somente se tomamos em consideração as circunstâncias individuais da vida das pessoas e do que são capazes concretamente”.

Quanto ao tema polêmico da homossexualidade, “necessitamos de mais coragem na Europa para falar com convicção sobre valores e promover os valores que são importantes para nós”, afirmou a diretora do Intams. “Penso – acrescentou – que todos conhecemos famílias nas quais os filhos, de repente, descobrem uma sexualidade diferente. Isto apresenta um enorme desafio para os pais e para as suas famílias. Mas, você expulsaria o seu filho ou a sua filha da sua casa ou lhe negaria hospitalidade, se desejasse entrar sincera e responsavelmente em uma relação do mesmo sexo?”