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Por: Cesar Sanson | 18 Julho 2014

Greenpeace promove ação na mais glamourosa rua de São Paulo para alertar sobre o descaso do governo estadual em lidar com a crise de escassez que faz da água artigo de luxo.

A reportagem é publicada pelo portal do Greenpeace, 17-07-2014.

Luxo é para poucos. Assim como a água em São Paulo. O Greenpeace, preocupado com o cenário dramático de escassez de água na maior metrópole do Brasil, realiza um protesto na tarde desta quinta-feira, na Rua Oscar Freire, em São Paulo, para reforçar a responsalidade do governo de Geraldo Alckmin sobre a maior crise hídrica da cidade e do estado e a incompêtencia em adotar medidas para enfrentá-la com transparência e eficácia. Um desfile de moda toma uma das ruas mais luxuosas da cidade, onde os modelos desfilam com baldes de ouro para armazenar água - artigo cada vez mais raro na atualidade.

A situação é grave e previsões apontam para um colapso do Sistema Cantareira, o principal manancial de abastecimento da Grande São Paulo (que atende 8 milhões de pessoas na região e mais 6 milhões no interior), entre outubro e novembro de 2014. O governo e a Sabesp apostam todas as suas fichas na incerta temporada de chuvas e, até agora, adotaram apenas medidas paliativas: incentivo a quem economizar água e o uso do chamado volume “morto” do manancial, com impactos desconhecidos para a sobrevivência do ecossistema.

A escassez vem avançando dos bairros periféricos da capital (onde o racionamento já faz parte da rotina e está cada vez mais intenso) para as regiões mais ricas de São Paulo. Cidades do interior paulista, como Itu e Campinas, também estão sofrendo com a falta de água. Há um mês, o Greenpeace foi ao Palácio do Bandeirantes, sede do Governo de São Paulo, para entregar uma carta ao governador Geraldo Alckmin com demandas estratégicas. As propostas visam apontar soluções para atenuar e resolver a crise da água em São Paulo.

São elas:

1. Combater o desperdício para reduzir os índices absurdos de perda;

2. Promover a eficiência do uso dos recursos hídricos, fomentando inclusive a discussão sobre o uso da água na agricultura;

3. Conservar a qualidade da água, com a recuperação e a proteção, por meio da criação de áreas protegidas, das florestas e matas ciliares;

4. Criar políticas de moradia justas e fortes, a fim de evitar que a dinâmica do mercado imobiliário estimule a ocupação de regiões próximas de mananciais;

5. Combater a poluição, com universalização do saneamento.

Até agora, por incrível que pareça, o governador não se manifestou. Assim, fica claro a má gestão e a negligência do Governo do Estado para tratar da crise que ameaça, com um colapso inédito de desabastecimento, o mais rico estado do Brasil.

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