A cadeira vazia no encontro de oração no Vaticano: a das mulheres

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14 Junho 2014

Entre as muitas coisas que foram ditas sobre o encontro de oração organizado pelo Papa Francisco com o primeiro-ministro israelense, Shimon Peres, e o líder palestino, Mahmoud Abbas, uma foi ignorada. No entanto, saltava aos olhos nos enquadramentos que celebravam o evento entre o verde dos jardins vaticanos: a total, absoluta, imperdoável falta de mulheres.

O comentário é de Pino Corrias, jornalista e escritor italiano, publicado no jornal Il Fatto Quotidiano, 13-06-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Nenhuma, nem mesmo em homenagem a uma necessária atualização da antropologia cultural, tratando-se não apenas da metade do mundo, mas justamente do próprio símbolo da vida – que guarda no ventre –, o próprio símbolo da paz que justamente ali aqueles 50 homens adultos acreditavam celebrar. Ou, melhor, invocar.

Sentavam-se um ao lado do outro, junto com os patriarcas das três religiões, a cristã, a muçulmana, a judaica. Todos exibindo vestes de antiga tradição, gestos ancestrais, mantras de alta meditação, orações. Cada um voltado ao próprio Deus rabugento com barbas e olhares aptos às circunstâncias.

Mas, por mais solidez masculina que exibissem, era a fragilidade daqueles rostos que prevalecia, a solidão, o desnorteamento daqueles olhares, a inadequação diante daquele tema insuperável, se pensado sem mulheres e, portanto, sem aqueles laços de amor e de vida compartilhada que estão na raiz da paz, da convivência, da ideia de um futuro comum.

Aqueles homens pareciam, pateticamente, o que eram: homens adultos inteiramente reféns de antigas místicas, antigas religiões, elaboradas por tribos de pastores nômades, muitos mundos atrás. Baseados em uma verdade revelada que se tornou lei escrita. Sobre o poder de um livro, a Bíblia, a Torá, o Alcorão. E sobre um deus monoteísta que, muito antes de ser o deus da misericórdia, é o deus masculino da guerra, da vingança, das sete pragas infligidas aos inimigos, da guerra santa, do paraíso reservado aos guerreiros, do povo eleito que deve prevalecer sobre os outros.

E sempre prevalece empunhando a santa espada da única verdade admitida, que é a revelada. Chamada a purificar no sangue dos inimigos toda heresia, toda infidelidade, todo pecado.

Sentados ao redor desse erro, não se deram conta que aquela vontade de paz já estava minada nas premissas do rito, na sua preparação. Nas três oliveiras, escolhidas como símbolos inanimados de um sentimento inanimado. Muito mais carregado de frutos teria sido convocar três mães – ou três filhas, ou três amantes, ou três viúvas – e ao menos ouvi-las.