09 Mai 2014
A paixão por tudo o que a Igreja pode ser, aprofunda o nosso compromisso de permanecer à mesa e falar sobre as diferenças. Queremos fazer parte da Igreja universal enraizada no Evangelho, uma Igreja que ouve o clamor dos pobres e está unida em sua resposta. Ao mesmo tempo, não podemos implorar pela construção da paz na Síria, no Oriente Médio, no sul do Sudão, a menos que nós também nos sentemos à mesa com as pessoas que detêm opiniões variadas e trabalhemos paciente e consistentemente por um verdadeiro encontro de mentes e corações.
Publicamos aqui o comunicado divulgado no sítio da Leadership Conference of Women Religious (LCWR), 08-05-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Eis o texto.
Ao longo dos últimos dias, houve muitos comentários públicos sobre as considerações de abertura do cardeal Gerhard Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, à presidência da Leadership Conference of Women Religious (LCWR) no seu encontro anual no dia 30 abril de 2014.
Em uma declaração pública depois da promulgação das considerações iniciais do cardeal, em releases separados, tanto Dom J. Peter Sartain, arcebispo delegado que supervisiona a implementação do mandato da Congregação para a Doutrina da Fé, quanto a presidência da LCWR afirmaram a precisão das observações do cardeal e comentaram a conversa positiva que se seguiu.
Para a LCWR, essa conversa foi construtiva na sua franqueza e na sua falta de ambiguidade. Não foi uma discussão fácil, mas a sua abertura e o seu espírito de investigação criaram um espaço para o diálogo e o discernimento autênticos.
O encontro com Congregação para a Doutrina da Fé deve ser visto no contexto de toda a visita da LCWR aos dicastérios vaticanos. Na nossa primeira visita no dia 27 de abril ao Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, Mons. Paul Tigue, secretário, compartilhou que o Papa Francisco insiste em criar, como parte da Nova Evangelização, uma cultura do encontro, marcada pelo diálogo e pelo discernimento. Nós experimentamos essa cultura do encontro em cada escritório vaticano que visitamos na Cúria, um encontro marcado pela interação genuína e pelo respeito mútuo.
Também experimentamos a Igreja Universal quando tomamos conhecimento dos muitos encontros internacionais que o Santo Padre convocou e planeja convocar, abordando questões globais como a economia, o ambiente, a vida familiar, a fome, a pobreza, a água, a violência, o tráfico humano e o desejo de envolver todas as pessoas – os jovens, os idosos, os ricos, os pobres – em comunhão, trabalhando juntas pelo bem comum do planeta. Sentimos a energia que flui a partir dessas iniciativas, que não são novas para o Vaticano, mas têm um sentido renovado de urgência e possibilidade.
Em nossas reuniões na Congregação para a Doutrina da Fé, a LCWR ficou entristecida ao saber que as impressões sobre a organização nas últimas décadas se tornaram institucionalizadas no Vaticano, e essas percepções institucionalizadas levaram a julgamentos e, finalmente, à avaliação doutrinal.
Durante o encontro, ficou evidente que, apesar dos máximos esforços feitos ao longo dos anos, a comunicação foi rompida, e, como resultado, a desconfiança se desenvolveu. O que criou uma abertura para o diálogo nesse encontro foi ouvir em primeira mão a forma como a Congregação para a Doutrina da Fé percebe a LCWR. Não nos reconhecemos na Avaliação doutrinal da conferência e percebemos que, apesar disso, as nossas tentativas de esclarecer os equívocos levaram a mal-entendidos ainda mais profundos. Esse é um assunto muito complexo, embora a LCWR tenha ficado animada com a tentativa da Congregação para a Doutrina da Fé e da LCWR de encontrar um caminho que honre a integridade e a missão de ambos os escritórios.
A paixão por tudo o que a Igreja pode ser, aprofunda o nosso compromisso de permanecer à mesa e falar sobre as diferenças. Queremos fazer parte da Igreja universal enraizada no Evangelho, uma Igreja que ouve o clamor dos pobres e está unida em sua resposta. Ao mesmo tempo, não podemos implorar pela construção da paz na Síria, no Oriente Médio, no sul do Sudão, a menos que nós também nos sentemos à mesa com as pessoas que detêm opiniões variadas e trabalhemos paciente e consistentemente por um verdadeiro encontro de mentes e corações.
De certa forma, para a LCWR, nada mudou. Ainda estamos sob o mandato e ainda temos a difícil tarefa de explorar o significado e a aplicação de conceitos-chave teológicos, espirituais, sociais, morais e éticos juntas, como uma conferência, e em diálogo com as autoridades vaticanas. Esse trabalho é repleto de tensão e mal-entendidos. No entanto, esse é o trabalho das lideranças em todas as esferas da vida nestes tempos de grandes mudanças no mundo.
No nosso encontro com as autoridades da Congregação para a Doutrina da Fé, experimentamos um movimento em direção a uma conversa honesta e autêntica sobre alguns dos assuntos que jazem no coração da nossa fé e da nossa vocação. Chegamos a acreditar que a continuação de tal conversa pode ser um dos esforços mais importantes que nós, como lideranças, podemos fazer pelo bem do mundo, da Igreja e da vida religiosa.
Nenhuma entrevista será concedida neste momento.
Ir. Carol Zinn, SSJ
Ir. Sharon Holland, IHM
Ir. Florence Deacon, OSF
Ir. Janet Mock, CSJ