“Divorciados e um Sínodo mais eficiente são as prioridades do Papa”

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Por: André | 19 Fevereiro 2014

Francisco suscitou uma onda extraordinária de simpatia e afeto”. Sendo o cardeal bispo mais antigo, Giovanni Battista Re presidiu o Conclave que elegeu o cardeal Bergoglio. A poucos dias do Consistório, o prefeito emérito da Congregação para os Bispos e ex-responsável pela Comissão Pontifícia para a América Latina traça um balanço muito positivo sobre o primeiro ano do Pontificado de Francisco e indica quais são suas prioridades.

A entrevista é de Giacomo Galeazzi e publicada no sítio Vatican Insider, 18-02-2014. A tradução é de André Langer.

Eis a entrevista.

Como procedem as reformas do Pontífice?

Francisco é um Papa reformador convencido. Sua primeira reforma é a que empreendeu com o exemplo e um estilo de vida sóbrio e simples. Começou a reformar a cúria, mas trata-se de reformas que exigem tempo e que devem ser cuidadosamente estudadas, como o Pontífice está fazendo com os oito cardeais conselheiros.

Que lhe parece este primeiro ano de Bergoglio?

Em todo o mundo, Francisco goza de enorme simpatia e afeto. Sua eleição foi uma surpresa para a opinião pública e para a imprensa. Doze meses depois, os resultados saltam à vista e são completamente positivos. Sobretudo no Sul do mundo os seguidores de Bergoglio são muitíssimos, embora suas raízes italianas sejam também evidentes, assim como sua devoção mariana. De fato, o primeiro ato do seu Pontificado foi a oração na basílica romana de Santa Maria Maior, para encomendar seu Pontificado à proteção da Santíssima Virgem.

Qual a importância da Pastoral da Família na ação de Francisco?

É fundamental. O Papa sabe muito bem que a família é determinante para melhorar a sociedade e para garantir um futuro seguro. É na família onde se transmite à pessoa o patrimônio da fé e valores; portanto, a atenção de Bergoglio para com a família é absoluta.

Espera mudanças na doutrina familiar?

Não considero que seja possível reconsiderar a exclusão dos Sacramentos dos divorciados que contraíram novas núpcias. Não se pode mudar uma situação objetiva. Oportunamente, Francisco chama a atenção pastoral da Igreja para as pessoas que se encontram nesta situação e que devem receber ajudar para conservar a fé, para conduzir uma vida de oração e para participar da missa dominical. O Papa se pergunta sobre as coisas que é preciso fazer para estar perto dos divorciados recasados e, de fato, está estudando a melhor maneira de manifestar sua proximidade.

É necessário também ajustar o Sínodo?

Evidentemente. Paulo VI o criou como um instrumento para favorecer uma melhor colegialidade, mas é preciso que funcione melhor. Por esta razão, o Papa faz muito bem quando pede uma mudança. Não é fácil integrar 300 pessoas, e o Pontífice está absolutamente consciente de que se deve simplificar o funcionamento do Sínodo.