A Cúria de Parolin, sem protagonismos

Mais Lidos

  • De Rerum Novarum a Leão XIV: não era o vapor, mas a ética; não são os dados, mas a dignidade. O que vale não é mensurável. Artigo de Paolo Benanti

    LER MAIS
  • Deus Trindade: circularidade-encontro-amor. Comentário de Adroaldo Palaoro

    LER MAIS
  • Juventude e novas direitas, para além dos estereótipos e dos extremos. Entrevista com Beatriz Besen

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

13 Fevereiro 2014

Menos imagem e mais substância: está chegando uma nova figura do secretário de Estado vaticano, a frente de uma Cúria que também será nova, menor e funcional, reconduzida a um papel de serviço puro. A uma Cúria sem protagonismos, convém um secretário de Estado de baixo perfil, mais incisivo na ajuda ao papa – isso é o que importa –, mas sem imagem pública. Ou com pouca imagem.

A reportagem é de Luigi Accattoli, publicada no jornal Corriere della Sera, 10-02-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Essa é a impressão que se tem lendo a entrevista do arcebispo Pietro Parolin – que é secretário de Estado desde 15 de outubro e vai se tornar cardeal em 22 de fevereiro – ao jornal Avvenire, dos bispos italianos: rica em afirmações de compromisso, mas todas em função de apoio à iniciativa papal, sem – se poderia dizer – nenhuma acentuação subjetiva.

O meu estilo – disse Parolin – "não pode ser" senão aquele do Papa Francisco, um estilo "com o qual eu me sinto profundamente identificado". E resumiu com cinco palavras, certamente bergoglianas, mas que nunca ressoaram todas juntas na boca de um secretário de Estado: "Simplicidade, abertura, proximidade, serenidade e alegria".

Mais adiante, ele afirmou que é preciso "trabalhar duro para nos tornarmos mais humanos, mais acolhedores, mais evangélicos": e falava dos curiais. Parolin, nos anos romanos, sempre desempenhou uma intensa atividade de ajuda a pessoas idosas e sozinhas, e é também por essas características "evangélicas" que Bergoglio o quis como primeiro colaborador.

O papa pediu que cada estrutura da Igreja – incluindo o papado – realize uma "conversão pastoral", e eis que Parolin aplica ao seu escritório essa palavra de ordem, dizendo que a Secretaria de Estado deverá assumir com "total disponibilidade" esse compromisso de transformação e se tornar "um modelo para a Igreja inteira".

Não é difícil assinalar a coerência com a qual o secretário de Estado está perseguindo esse objetivo. O papa vive em Santa Marta e vai ao Palácio vaticano apenas para o trabalho, e assim também faz Parolin. Quando ele era subsecretário para as Relações com os Estados, nos anos 2002-2009, ele tinha – como prevê o organograma da Secretaria – o seu próprio apartamento dentro do Vaticano, mas agora que ele está na cúpula não tem mais. O exemplo de despojamento do próprio apartamento que o papa deu, está envolvendo uma revisão de privilégios.

Parolin afirma na entrevista que a reforma da Cúria que está sendo preparada deverá torná-la "um instrumento ágil e menor, menos burocrático e mais eficaz" a serviço "do papa e bispos, da Igreja universal e das Igrejas particulares". Sabe-se como é difícil fazer com que uma estrutura de governo "emagreça", mas há sinais de que, nessa frente, a linha Bergoglio-Parolin é drástica: no aparato da Secretaria, já se viram aposentadorias sem substituições. O tratamento de emagrecimento parece já ter começado.

Sobre a Itália, ou seja, sobre a relação entre a Conferência Episcopal Italiana e o secretário de Estado, Parolin diz uma frase reveladora em resposta à pergunta de quem tem a última palavra em matéria de relações com a política: ele lembra que Francisco indicou o "diálogo" com as instituições como tarefa dos bispos, acrescenta que haverá "sinergia" entre as diversas instâncias eclesiásticas, e conclui recordando que "a animação cristã da ordem temporal é tarefa específica dos leigos".

Essa é precisamente a ideia central da visão bergogliana: o rebanho tem o seu próprio faro para encontrar o caminho certo nesse assunto, disse Francisco repetidamente. Por isso, é hora de parar com a interrogação sobre qual púrpura ou qual solidéu têm a última palavra "in temporalibus", isto é, nas coisas deste mundo.