Para analista, acordo na OMC 'beneficia maiores exportadores mundiais

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12 Dezembro 2013

Comparando o comércio mundial a largas avenidas de tráfego, os países que mais se beneficiarão do acordo para agilizar importações e exportações fechado no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) no fim de semana são os que mais utilizam seus carros.

A reportagem é de Pablo Uchoa, publicada na BBC Brasil, 10-12-2013.

Assim o professor Marcos Troyjo, diretor do instituto de pesquisas BRICLab, da Universidade de Columbia, em Nova York, ilustra como serão distribuídos os benefícios do compromisso assinado por 160 países para facilitar procedimentos alfandegários e burocráticos internacionais.

A simplificação aduaneira tem o potencial de elevar em mais de US$ 1 trilhão o volume mundial de exportações (e o PIB global em igual medida), segundo estatísticas produzidas pelo Peterson Institute for International Economics, em Washington.

Por outro lado, como levantaram organizações de combate à pobreza, poucos benefícios serão obtidos pelas nações que já não estejam inseridas no comércio mundial, cuja esperança com a chamada Rodada Doha era conquistar mais acesso a mercados de países desenvolvidos para seus produtos agrícolas.

Tal e qual está o acordo, os países desenvolvidos têm a ganhar US$ 475 bilhões com as medidas acordadas, calcula o Instituto Peterson. Já o aumento nas exportações dos países emergentes poderia chegar a US$ 570 bilhões.

Na América Latina, o potencial de ganho é de US$ 151 bilhões. E só nos Leste da Ásia emergente é de US$ 267 bilhões - refletindo o peso da maior potência exportadora do planeta, a China, que Troyjo considera a "silenciosa ganhadora" de um acordo deste tipo.

Velocidades diferentes

No ano passado, segundo dados do Banco Mundial, a China exportou US$ 2 trilhões em mercadorias, enquanto EUA e Alemanha venderam ao resto do mundo US$ 1,56 trilhão e US$ 1,46 trilhão, respectivamente. Por pura questão de volume, estes países estão entre os que mais ganhariam com as medidas da OMC, acredita o professor Troyjo.

"É só pensar em alguém andando a 20 km/h que aumenta em 10% a sua velocidade", ilustra o professor de Columbia. O aumento na velocidade seria de 2 km/h. Já alguém que está andando a 200 km/h e também aumenta em 10% a sua velocidade, passaria a andar 20 km/h mais rápido, ilustra Troyjo.

Por essa lógica, o Brasil, que em 2012 exportou US$ 242 bilhões (e importou US$ 223 bilhões), se beneficiaria menos que qualquer uma das três potências comerciais citadas.

Outros fatores podem ser levados em conta para enriquecer a análise. Por exemplo: países com uma maior proporção de manufaturados nas suas exportações tendem a se beneficiar mais de uma simplificação de produtos aduaneiros, porque os produtos manufaturados são transportados em lotes menores que as matérias-primas.

"Basta pensar em um navio com 200t de matérias-primas e no número de caixas para transportar 200t de computadores", diz Troyjo. O raciocínio também vale para uma pauta de exportações mais diversificada.

Segundo o Banco Mundial, as manufaturas responderam em 2012 por 94% das exportações chinesas (o setor responde por cerca de 40% da produção econômica chinesa), 82% das americanas, 63% das americanas e 35% das brasileiras, segundo o Banco Mundial.

Troyjo avalia que o benefício econômico das medidas adotadas em Bali também terá efeitos diferentes em cada país dependendo do peso do comércio de mercadorias no PIB de cada um deles.

Com importações mais exportações de mercadorias equivalendo a 79% do seu PIB em 2012, a Alemanha é provavelmente uma das maiores beneficiárias das medidas para descomplicar os procedimentos aduaneiros. Com um comércio equivalente a 43% do seu PIB, a China também deverá gozar de benefícios do acordo.

E embora a relação comércio de mercadorias sobre o PIB dos EUA seja menor (25% em 2012), um aumento das exportações das empresas americanas sediadas em outras partes do mundo (por exemplo, na China) contaria favoravelmente na produção doméstica americana.

Insatisfeitos

Os grupos que mais saíram insatisfeitos do acordo foram os grupos de combate à pobreza, que viram o acordo como um passo "mínimo" que beneficia apenas as "corporações, não os pobres do mundo".

"No lado positivo, os países desenvolvidos forçaram concessões na agenda pró-corporações dos EUA e da União Europeia", disse o diretor do Movimento pelo Desenvolvimento Mundial, Nick Dearden.

"Entretanto, essas concessões são apenas o mínimo necessário para alcançar o que continua sendo um acordo para as corporações, e não os pobres do mundo."

Marcos Troyjo concorda que, por enquanto, o grupo de países menos desenvolvidos do mundo, com um PIB e um comércio pouco expressivos no panorama mundial, será pouco afetado pelas mudanças.

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