Por: André | 31 Outubro 2013
Um estudo sobre as palavras do Papa Francisco estará nas bancas dentro de uma semana, na quarta-feira, 06 de novembro. A revista Vita fez uma pesquisa sobre as expressões usadas com maior frequência pelo Papa Francisco, desde a sua eleição até o dia 10 de outubro passado.
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| Fonte: http://bit.ly/HuiMKc |
A reportagem é de Andrea Tornielli e publicada no sítio Vatican Insider, 30-10-2013. A tradução é de André Langer.
“As palavras do Papa Francisco – escreve o diretor Giuseppe Frangi – têm esta característica: ganham corpo com o personagem. Dizem muito, quase tudo dele. Esculpem sua figura aos olhos do mundo, não apenas dos crentes. Inclusive as estatísticas o confirmam: reunidos os discursos pronunciados pelo Papa até o dia 10 de outubro, os separamos em diferentes tipologias (audiências, Angelus, pregações, discursos das viagens...) e começamos a contar as palavras. Cada vez surgia uma confirmação coerente. O Papa é aquele que diz. Alguns resultados sintéticos podem dar uma ideia. Além de “Jesus”, o termo mais recorrente é ‘tudo/todos’”.
Das 106.000 palavras pronunciadas pelo Papa até o dia 10 de outubro (sem considerar os textos que foram apenas escritos e não pronunciados, como a Encíclica a quatro mãos sobre a fé), há 963 recorrências. Ou seja, uma a cada 110 palavras. “Tudo/todos”, mais que uma visão sobre as coisas, é um pressuposto das outras palavras, é a chave com que Bergoglio derruba muros e escancara portas. Também nas homilias matutinas na Capela Santa Marta, a frequência das palavras “tudo/todos” confirma-se com 316 repetições.
Outro aspecto que surge deste estudo está relacionado com a frequência das perguntas, que se convertem em “significantes repletos de significados”. Francisco procede com interrogações. “Penetra com perguntas – escreve a revista Vita – feitas a si mesmo e àqueles que o escutam... As interrogações são 614, sem contar as homilias de Santa Marta”.
“Caminhar” e “andar” são outras das palavras mais frequentes nos discursos do Papa argentino (respectivamente 217 e 252), em particular nos discursos das audiências, quando o Papa dá sua catequese. Trata-se de “verbos – observa o diretor da Vita – que se convertem em chave de leitura para os textos bíblicos. O cristianismo do Papa Francisco é essencialmente um caminhar, um andar. É, como dissemos, um movimento”. Imediatamente depois encontramos os verbos que são consequência lógica dos dois anteriores: “sair” e “seguir”. O “andar” do Papa Francisco, observou Frangi, não é um “percurso interior, mas um ‘andar’ concreto, em particular para essas zonas da vida que ficaram marginalizadas, as ‘periferias da existência’, os ‘quebrantados’ são outras palavras que aparecem com uma tenacidade que alude à carne dos que sofrem”.
E também aparecem muito os verbos “ver”, “olhar”, “escutar” e “ouvir”. O estudo da revista Vita, que inclui tabelas estatísticas com os dados sobre as palavras mais frequentes do Papa, analisa também os termos “não”, quer dizer, aquelas que o Papa dedica às atitudes em relação à quais quer precaver; “fofocas”, “queixas” têm uma presença significativa, com 42 e 37 aparições, respectivamente.
Entre as novidades mais significativas que surgem deste estudo da Vita está a tendência do Papa de criar neologismos ou imagens novas. Quando se dirigiu aos ginecologistas católicos, em 20 de setembro, o Papa não inventou propriamente um neologismo, mas resgatou uma extraordinária definição que já não se usa em italiano: “Tempos atrás, as mulheres que ajudavam no parto eram chamadas de ‘comadres’; é como uma mãe com a outra, com a verdadeira mãe, não? Vocês também são ‘comadres’ e compadres’”. Para não falar do verbo “argentino” “primerear”, que usa para definir o fato de que Deus vem primeiro, antecipa qualquer ação humana. “O neologismo – conclui Frangi – é sintoma de duas coisas. Primeira, que para ele a criatividade é um elemento fundamental na ação missionária e pastoral. Segundo, que ao somar-se Deus à realidade segue modalidades que às vezes não podem ser expressas com palavras adequadas. É uma sacudida que, ao sacudir a vida, acaba forçosamente sacudindo também a língua”.
