''Assim o papa reabilita milhares de padres clandestinos''. Entrevista com Alberto Melloni

Mais Lidos

  • De Rerum Novarum a Leão XIV: não era o vapor, mas a ética; não são os dados, mas a dignidade. O que vale não é mensurável. Artigo de Paolo Benanti

    LER MAIS
  • Deus Trindade: circularidade-encontro-amor. Comentário de Adroaldo Palaoro

    LER MAIS
  • Juventude e novas direitas, para além dos estereótipos e dos extremos. Entrevista com Beatriz Besen

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

24 Setembro 2013

"O papa parte do ponto de vista do povo fiel, de centenas de milhares de párocos que, há dois dias, não são mais 'clandestinos'"... Para o professor Alberto Melloni, historiador da Igreja, a entrevista de Francisco à Civiltà Cattolica é uma reviravolta importante.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada no jornal La Stampa, 21-09-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

O que mais o impressionou?

A forma da entrevista em si só não é incomum e foi usada pelos seus antecessores, mais recentemente Bento XVI. E Francisco diz claramente que não há mudanças de doutrina, mesmo nos pontos morais delicados. O que me impressionou foi a percepção: para Wojtyla e Ratzinger, certos valores eram proclamados no espaço público para criar uma discriminação e mostrar a capacidade antagonista da Igreja. Para Bergoglio, ao invés, parte-se do povo fiel.

Então, qual é a novidade?

O papa pensa a partir das almas, e não das leis. Da pessoa, e não dos "ismos". O que mostra a grande força da experiência cristã do catolicismo. Na fé católica romana, permanecendo inalterada a doutrina, pode-se ter uma atitude que é percebida como oposta à anterior.

Alguns analistas escreveram que assim se deixam para trás algumas das prioridades dos dois últimos pontificados e da recente experiência da Conferência Episcopal Italiana...

Na realidade, a entrevista do papa cria uma nova categoria de "clandestinos"... São muitos bispos, que agora se encontram em dificuldade. Sentem constrangimento, porque o registro da vida paroquial não é o deles: eles tem a vontade de se sintonizar, mas não têm os instrumentos, pois, até pouco tempo atrás, para fazer carreira, bastava ser publicamente enérgico, mostrar os músculos diante das pessoas com problemas morais, porque qualquer outra abordagem era considerada timidez e conluio com o relativismo.

Francisco fala que ele mesmo é "um pecador". O que isso significa?

Esse é o verdadeiro sentido do pecado cristão. Que não está, acima de tudo, em fazer um exame tendo nas mãos o prontuário dos pecados, mas sim em reconhecer que a nossa condição é a de pecador. O papa dá uma chicotada em uma concepção um pouco simplista dos últimos anos: parecia que os pecados sempre eram feitos pelos outros.