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28 Agosto 2013

Apenas em cada três italianos sabe dizer a quem são atribuídos os Evangelhos. Esse é um dos (muitos) dados que testemunham – na pesquisa da Eurisko GFK encomendada pela Igreja Valdense – a extraordinária ignorância dos italianos em matéria religiosa.

A reportagem é de Vera Schiavazzi, publicada no jornal La Repubblica, 27-08-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Embora 90% afirmem ter recebido uma educação "católica", e 50,9% declarem rezar "regularmente" (mesmo que apenas 11% frequentam a igreja e apenas 29% pegam a Bíblia nas mãos fora das celebrações litúrgicas). Metade dos entrevistados acreditam que quem escreveu o livro mais famoso do mundo foi Jesus (20%) ou Moisés (26%); 41% sabem citar apenas um dos dez mandamentos; 17% não lembram nem o fundamental "não matar".

Ideias mais do que nunca confusas também sobre as três virtudes teologais, viga central de todo ensinamento catequético: apenas 17,2% lembra "fé, esperança e caridade". Talvez por estarem conscientes do seu analfabetismo religioso, 56% dos italianos são a favor de aulas sobre as várias religiões e não apenas a católica. Ainda mais alto é o número daqueles que admitem que quem poderia ensinar religião são professores de várias religiões ou de nenhuma religião, contanto que estejam "preparados". Mas o fato é que hoje as informações sobre as "outras religiões" são adquiridas mais na paróquia (43%) do que na escola ou nas universidades (25%) e através dos meios de comunicação (29%).

Esse interesse é confirmado pelo fato de que 63% dos italianos se dizem a favor da abertura de mesquitas. Quanto à ética, os italianos confirmam escolhas autônomas e, às vezes, contrapostas às da cúpula eclesiástica: isso com relação ao reconhecimento dos casais gays (sim para 63%), com relação ao testamentos biológico (sim para 74,5%) e para a inseminação heteróloga (65%).

"Esses dados – comenta o cientista político Paolo Naso, que coordenou a apresentação no debate dessa segunda-feira – ressaltam como os jovens são muito mais 'analfabetos' do que os seus pais, embora 87% dos entrevistados declaram ter se valido do ensino da religião católica na escola. E, com efeito, é acima de tudo a paróquia que é indicada como o lugar onde se podem obter informações sobre outras religiões".

Há muito a fazer, portanto, "tanto dentro das confissões individuais, quanto nas instituições, porque, como também mostrou a experiência francesa, a laicidade não pode ser a da ignorância, mas sim a da competência".