04 Julho 2013
O Papa Francisco fala em termos gerais – mas nem por isso menos significativos, com os tempos que correm – quando comenta a passagem bíblica da destruição de Sodoma e exorta a "fugir do pecado" e olhar "para a frente, na estrada de Jesus", sem "nostalgia" nem "medo" de mudar.
A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada no jornal Corriere della Sera, 03-07-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
O cardeal Angelo Bagnasco, em vez, fala justamente do IOR, em resposta àqueles que pedem a demissão do diretor-geral, Paolo Cipriani, e do vice, Massimo Tulli. E considera: "Parece-me que esse episódio se insere naquela que é a intenção e a vontade precisa do papa, é um episódio concreto". Certamente, o presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI) afirma prudentemente que "não conheço os termos da questão, senão aquele que se lê nos jornais", e diz que não sabe "se esse último episódio está ligado à reforma" diretamente, mas depois explica o essencial, os cardeais sabem muito bem disso, porque a questão esteve no centro das discussões antes do conclave: "O Santo Padre disse várias vezes que ele faria uma revisão e uma reforma do IOR...".
A prisão de Nunzio Scarano, aquele "monsenhor 500 euros", acusado de agir de modo diametralmente oposto às recomendações do Bergoglio (ai dos "hipócritas" que buscam "carreira", "poder" e "dinheiro", ai da "mundanidade" espiritual que é a "lepra" da Igreja), acelerou uma revolução que já está imposta e é inexorável. O "mandato" do conclave com as reformas invocadas pela maioria dos purpurados, entre cardeais que pediam o fechamento do IOR, e outros que propunham um banco ético "externo" à Santa Sé. Bento XVI, que três meses depois da eleição do sucessor confirma aos seus alunos o fato de estar "convencido de ter feito a escolha certa". E Francisco que institui primeiro o "grupo de conselho" cardinalício para a reforma da Cúria e depois a comissão de inquérito sobre o IOR.
Trabalhos em andamento, nada será como antes. Poucas semanas atrás, em uma conversa privada – e nunca desmentida – com um grupo de religiosos da América Latina, além de evocar o "lobby gay" com enredos e chantagens relativos do outro lado do Tibre, o papa teria falado de uma Cúria em que há "pessoas santas", mas também "uma corrente de corrupção".
Na homilia cotidiana – e nunca casual – em Santa Marta, Francisco falava nessa terça-feira das "atitudes possíveis nas situações conflituais e difíceis". Existe a "lentidão" de Ló quando os anjos o advertem para fugir de Sodoma: "É tão difícil cortar com uma situação pecaminosa! Mas a voz de Deus nos diz esta palavra: 'Foge! Tu não podes lutar lá, porque o fogo, o enxofre te matarão. Foge!' ...".
Mas se trata de "fugir para ir para a frente na estrada de Jesus", adverte o papa. Rápido e sem "nostalgias", para não se tornar estátuas de sal, como a mulher de Ló: "O conselho do anjo é sábio: não olha para trás! Vai para a frente!". Não se deve ter medo de "ir para a frente", pronuncia o papa, da mudança: "Nós não somos ingênuos, nem cristãos mornos, somos valorosos, corajoso. Nós somos fracos, mas devemos ser corajosos na nossa fraqueza. E a nossa coragem muitas vezes deve se expressar em uma fuga e não olhar para trás, para não cair na nostalgia ruim. Não ter medo e sempre olhar para o Senhor".