''Nós o removemos do cargo, mas há muito o que mudar na gestão dos bens da Santa Sé''

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01 Julho 2013

"O dicastério vaticano que administra os imóveis da Igreja não tem nenhuma responsabilidade nessa história. Embora o Mons. Scarano tivesse um papel importante nesse escritórios". O cardeal Domenico Calcagno é presidente da APSA, a Administração do Patrimônio da Sé Apostólica, o dicastério vaticano que gerencia os imóveis da Santa Sé e onde até recentemente o Mons. Scarano desempenhava o delicado cargo de responsável da seção de Contabilidade Analítica.

A reportagem é de Orazio La Rocca, publicada no jornal La Repubblica, 29-06-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

Cardeal Calcagno, Scarano, um dos seus colaboradores mais próximos, está preso sob a acusação de corrupção e fraude.

É uma história que só causa dor, mesmo que eu possa assegurar com toda a consciência que a APSA não tem nada a ver com essa história.

Mas as acusações que pendem sobre Scarano, se forem fundamentadas, serão infames para ele e incômodas para a instituição pontifícia para a qual ele trabalhava.

Eu sinto desconforto e sofrimento, especialmente por ele. Sem querer de forma alguma entrar no mérito da investigação na qual os magistrados estão trabalhando, do ponto de vista humano, não se pode não sentir dor e perplexidade.

Como presidente da APSA, o senhor não está preocupado que as acusações que caíram sobre o responsável da contabilidade do seu escritório também possam manchar a imagem do Vaticano?

Repito: a APSA não tem nada a ver com essa história. Assim como ela não está envolvida em nada, direta ou indiretamente, nas acusações que os investigadores fazem ao Mons. Scarano. Também deve ser lembrado que o próprio monsenhor, há cerca de um mês, foi demitido do seu cargo como contador responsável da APSA assim que veio à tona o seu envolvimento na investigação iniciada pela magistratura sobre os supostos casos de lavagem de dinheiro. À espera de que tudo fique esclarecido, suspendemo-lo necessariamente de todo encargo.

A prisão ocorreu poucos dias depois que o Papa Francisco, para renovar as instituições vaticanas, lançou a segunda das duas comissões pontifícias, a que deverá levar transparência ao IOR.

E como podemos compartilhar a insistência na renovação das instituições pontifícias e a exigência de clareza e de transparência em todos os níveis que se captam nas palavras do Santo Padre? É um grande mérito que lhe deve ser reconhecido, e todos devemos ficar próximos dele, ajudá-lo, agradecidos pelo zelo pastoral com o qual deu vida ao seu pontificado com palavras, gestos e posicionamentos que logo abriram espaço nos corações de todos, crentes, não crentes, fiéis de outras religiões.

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