A oração por Francisco: ''Não ceda aos inimigos''

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01 Julho 2013

O folheto da missa da manhã desse sábado previa que cardeais, bispos e todos os fiéis em São Pedro rezassem pelo Papa Francisco para que "o Senhor vigie sobre ele" e "não o abandone à mercê dos inimigos". A ocasião é solene, a festa dos santos Pedro e Paulo, dia em que o pontífice entrega aos novos arcebispos de todo o mundo – foram 34 – o "pálio" que simboliza a unidade dos sucessores dos apóstolos em torno do sucessor de Pedro. Leem-se as palavras de Jesus: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as forças do inferno não prevalecerão".

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada no jornal Corriere della Sera, 29-06-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Os inimigos, os infernos. O papa está impondo com método a sua reforma ou, melhor, a revolução daqueles que repetiram várias vezes que "São Pedro não tinha uma conta no banco" e que a "lepra na Igreja" está na "mundanidade espiritual", que busca "poder" e "dinheiro".

E é evidente que há resistências surdas e ameaçadoras contra Francisco. Mas o eterno retorno dos escândalos enfraquece a hostilidade e a inércia curiais, antes ainda de "fortalecer" um pontífice que se mostra tão determinado a não precisar disso. Por isso, o dia 29 de junho, com a sua carga simbólica, é esperado há muito tempo com ansiedade crescente, na Cúria e fora dela: pelas palavras que Francisco dirá sobre a Igreja – e ainda nessa sexta-feira, em Santa Marta, ele proferiu que os cristãos devem ser "irrepreensíveis" – e pela possibilidade de que ele possa anunciar as primeiras nomeações ou substituições.

Além disso, é óbvio que os líderes de diversos dicastérios são destinados a mudar em breve. O momento, no entanto, ninguém sabe, porque "o Santo Padre é imprevisível", suspira um alto prelado: surpreendeu todos o modo pelo qual Francisco, na quarta-feira passada, instituiu a comissão de inquérito sobre o IOR, um "quirógrafo" – texto escrito à mão pelo papa – que não havia passado por nenhum escritório, Vatileaks docet.

Todos estão em suspenso "até que se proceda de outra forma", começando pelo secretário de Estado. O cardeal Tarcisio Bertone, no fim de julho, vai acompanhar o papa na Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, e o seu substituto é esperado para depois do verão, embora exista o precedente do próprio Bertone, que assumiu o cargo em meados de setembro, mas foi anunciado por Ratzinger ainda em junho. Em todo caso, o candidato mais forte para a Terceira Loggia é considerado o cardeal Giuseppe Bertello de grande experiência diplomática, atual presidente do Governatorato.

De início, é o cardeal Mauro Piacenza, prefeito do Clero e líder da ala "genovesa" e mais conservadora da Cúria, que poderia substituir o arcebispo cessante Carlo Caffara em Bolonha. (Nota da IHU On-Line: Caffara foi confirmado no cargo por mais dois anos, no último sábado) Com o seu antecessor à frente do Clero, quando ele era o seu número dois, Piacenza teve uma convivência difícil, opondo-lhe uma linha mais intransigente, até que, "por limite de idade", ele o substituiu: e o já ex-prefeito, que voltou para o Brasil, era o cardeal Cláudio Hummes, grande amigo de Bergoglio, o franciscano que no conclave, no momento da eleição, o abraçou e lhe disse: "Não te esqueças dos pobres". Anuncia-se uma diocese importante também para o arcebispo Giuseppe Sciacca, número dois do Governatorato.

Mas nomes e tempos estão na mente de Francisco. Certamente, é significativo que, pouco depois da prisão do Mons. Scarano, a Santa Sé já anunciasse a "plena colaboração com as autoridades italianas", com o padre Lombardi que explicava como um empregado vaticano pode ter uma conta no IOR, sim, mas que nem por isso seja algo obrigatório: "Eu não tenho uma...".

Não será um passeio. Mas Francisco, nesse sábado, falando da "paciência de Deus", observava: "A noite é mais escura quando a aurora está perto".