Do ''deus spray'' aos ''fiéis engomados'': as metáforas do Papa Francisco

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26 Junho 2013

"Valores avariados", disse Francisco nesse sábado, e os comparou à "refeição que saiu mal": isto é, ele desenvolveu um miniparábola, ou uma metáfora, uma das tantas que ele propôs desde que é papa. A "Igreja babá", o "deus spray", o confessionário que "não é uma lavanderia", as religiosas que devem ser "mães e não solteironas", os "cristãos de salão", os "engomados" e os "de museu", a "oração de cortesia" e o "colírio da memória", a vida cristã que "não é uma terapia terminal", a tentação do "progressismo adolescente" e a de "domesticar as fronteiras", ou de "pentear as ovelhas", ou de impor uma "alfândega pastoral": o repertório imagético do papa argentino já é muito amplo.

A reportagem é de Luigi Accattoli, publicada no jornal Corriere della Sera, 24-06-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Da atitude de falar em parábolas, ele fez um programa, e não se trata apenas de uma habilidade que lhe vem dos estudos e da frequentação da Bíblia. Ele foi professor de literatura, admirador e amigo do poeta Jorge Luis Borges (que ele convidou uma vez para o colégio onde ele lecionava), como cardeal também chegou a escrever – em 2002 – um livro sobre Martín Fierro, de José Hernández, que é uma mina de metáforas.

Outra fonte da vocação parabólica da sua linguagem é a frequentação das Escrituras, sobre as quais o jesuíta Bergoglio, há já 54 anos, se "exercita" segundo o método inaciano, isto é, ditado por Inácio de Loyola, que prevê – entre os momentos dos Exercícios Espirituais – o momento de "ver as pessoas presentes" em um episódio bíblico e o de "ouvir o que elas dizem".

E se sabe que as Escrituras judaicas e cristãs estão cheias de metáforas e de parábolas. Essa bagagem literária e bíblica acumulada ao longo dos anos é desenvolvida por Bergoglio intencionalmente: em várias ocasiões, antes da eleição, ele insistiu na importância de utilizar "o imaginário teológico" para fermentar o imaginário social, isto é, tendo em vista uma possível nova vida associada.

No texto Deus vive na cidade, que é de 2011, ele convida a "aprofundar o imaginário evangélico da cidade para propô-lo em toda a sua riqueza à cidade atual, a fim de motivar um agir comum guiado pela caridade".