20 Mai 2013
Até agora, as palavras do papa sobre o IOR, embora extemporâneas, foram bastante explícitas. No dia 24 de abril, durante a missa da manhã em Santa Marta, Francisco falou da Igreja, da sua natureza de "história de amor" e depois advertiu contra os riscos. Ele disse, de improviso: "Quando a Igreja quer se orgulhar da sua quantidade, e cria organizações, e cria escritório, e se torna um pouco burocrática, a Igreja perde a sua principal substância e corre o perigo de se transformar em uma ONG". E logo depois: "Mas estão aqui aqueles do IOR. Desculpem-me... Tudo é necessário, os escritórios são necessários, mas são necessários até certo ponto: como ajuda a esta história de amor".
A reportagem é de Aldo Maria Valli, publicada no jornal Europa, 17-05-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Foi mais forte do que ele, ele não conseguiu se conter. E isso não deve ter agradado tanto na Cúria, já que o L'Osservatore Romano não relatou as afirmações sobre o IOR, e o arcebispo Becciu, substituto da Secretaria de Estado, logo jogou água fria sobre o fogo, defendendo que a imprensa teria atribuído ao papa "palavras que deturpam o seu pensamento".
Além disso, é preciso levar em conta o que Francisco disse no dia 16 de maio, também neste caso durante a missa em Santa Marta: "Quando um padre, quando um bispo vai atrás do dinheiro, acaba mal: se vamos pela estrada das riquezas, tornamo-nos não pastores, mas lobos". E ainda: "Quando um bispo ou um padre vai pela estrada da vaidade, entra no espírito do carreirismo, e isso faz muito mal à Igreja".
Mas o que o Papa Francisco fará com o IOR? É verdade que ele até gostaria de eliminá-lo?
É impossível dizer neste momento. Dos sinais concretos que chegaram até agora, é possível pensar em uma transformação. Principalmente em nome da transparência.
Na quarta-feira, foi comunicado que, até o fim do ano, o instituto terá o seu próprio site, em que também estará disponível o relatório anual sobre as atividades. Além disso, também foi iniciado uma relação de consultoria com uma nova empresa internacional de certificação, a fim de verificar o pleno respeito às normas contra a lavagem de dinheiro. Foram apenas os primeiros passos, mas indicam a direção. E as palavras dirigidas por Francisco no discurso a alguns embaixadores dão a entender ainda melhor qual é o ponto de vista do papa.
O cardeal Óscar Rodríguez Maradiaga, colocado por Francisco à frente da equipe de oito purpurados que deverão planejar a reforma da Cúria Romana, declarou que o IOR certamente é objeto de exame. Embora especificando que ainda é muito cedo para dizer "sobre o que vamos agir e de que modo", o arcebispo hondurenho informou que muitas indicações estão chegando dos pastores de todas as dioceses do mundo e que, embora a primeira reunião oficial da equipe está prevista para o mês de outubro, o trabalho já começou, e ele mesmo, na próxima semana, irá se encontrar com o papa.
"Eu posso dizer – acrescentou – que, na América Latina, há um grande entusiasmo: bispos e conferências episcopais estão trazendo conselhos, documentos, dados, e isso vai fazer um grande bem para toda a Igreja".
Nas avaliações referentes à reforma da Cúria, declarou o cardeal Francesco Coccopalmerio, presidente do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, "poderia entrar de tudo, também o IOR", e, certamente "as reformas e as decisões" irão acontecer "em tempos muito rápidos", porque Francisco "não perde tempo".
Entre as hipóteses sobre as quais se está trabalhando, há uma reforma abrangente dos órgãos econômicos e financeiros vaticanos, uma revisão em que também poderiam entrar a APSA (Administração do Patrimônio da Sé Apostólica) e a Prefeitura dos Assuntos Econômicos da Santa Sé, que tem funções de supervisão.
Enquanto isso, o papa decidiu cortar a taxa de presença destinada aos cardeais que compõem a comissão do IOR, presidida pelo secretário de Estado: um cheque de 2.100 euros por mês, cuja eliminação, por si só, certamente não reparará os cofres vaticanos, mas é outro sinal que aponta o caminho no qual Francisco está se movendo. "Ah, como eu gostaria de uma Igreja pobre e para os pobres!", exclamou o papa, quase suspirando, durante o encontro com os jornalistas em março passado.
No clima de spending review, no IOR decidiram autonomamente não recorrer mais aos carros azuis para os deslocamentos dos conselheiros leigos. De agora em diante, simples carros de serviço ou táxis comuns.