Em Rondônia, sociedade civil se mobiliza em favor do povo Cinta Larga

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26 Abril 2013

Representantes de instituições públicas e entidades da sociedade civil atenderam ao chamado do Ministério Público Federal (MPF) em Rondônia e criaram o Grupo Clamor (Cinta Larga: Amigos em Movimento pelo Resgate). Os participantes do grupo terão como objetivo buscar e propor soluções, em conjunto com os indígenas, para a situação daquele povo.

A informação é do Ministério Público Federal - MPF/RO, 25-04-2013.

O Grupo Clamor foi formado a partir da inscrição de interessados durante a reunião pública sobre o povo Cinta Larga, realizada na última semana. “Não vamos restringir o grupo. Quem quiser participar ainda pode se inscrever pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.”, afirmou o procurador da República Reginaldo Trindade. Já se inscreveram para participar do grupo 23 pessoas, representando instituições públicas, ONGs, universidades, entre outros.

Durante a reunião pública, os participantes puderam iniciar o conhecimento sobre aquela população indígena e a situação em que estão devido ao garimpo ilegal de diamantes em suas terras; sendo que a triste situação em que se encontram está diretamente ligada à omissão do governo federal. “O descaso do governo federal com esse povo pode causar o extermínio desses índios”, enfatizou Trindade. Um dossiê Cinta Larga foi entregue aos participantes da reunião

Depoimentos 

O cacique Nacoça Pio Cinta Larga relatou, durante a reunião pública, uma parte da história de seu povo. Ele contou como sobreviveu após o Massacre do Paralelo 11, nome dado ao episódio que causou destruição de aldeias cintas largas na década de 1960, matando cerca de 3,5 mil índios e pelo qual o Brasil foi, pela primeira vez, denunciado internacionalmente por genocídio. “Da nossa aldeia escaparam só quatro meninos. Ficamos durante muito tempo perdidos na floresta até acharmos os (índios) mais velhos”, contou.

Marcelo Cinta Larga falou sobre o preconceito que seu povo sofre. “Nós recebemos o preconceito de que o povo Cinta Larga não precisa de um projeto, não precisa de apoio, porque existe diamante em seu território, que dormimos em berço de ouro. Por isto o governo e as ONGs deixam de nos apoiar. Isto é muito triste. Algumas mídias dizem que povo Cinta Larga não presta, que é assassino, que rouba. Isto não é verdade. O povo Cinta Larga não entende muito ainda (a cultura do não índio) e precisa de capacitação”, afirmou.

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