O papa e o Banco do Vaticano: é útil até certo ponto

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26 Abril 2013

"Mas estão aqueles do IOR, desculpem". Francisco o diz com um sorriso, mas a brincadeira não passa despercebida. A missa da manhã dessa quarta-feira na capela da Domus Sanctae Marthae tornou-se um evento muito importante – dela participam, alternadamente, aqueles que trabalham no Vaticano –, o papa fala de improviso e desdobra, dia após dia, os pontos fundamentais do seu pontificado. Assim, na manhã dessa quarta-feira, desta vez diante dos empregados do IOR, ele explicou que a Igreja não é uma organização "burocrática", e o essencial está em outro lugar, "é uma história de amor".

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada no jornal Corriere della Sera, 25-04-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Por isso – "desculpem-me", sorriu ele ao pessoal do IOR –, "tudo é necessário, os escritórios são necessários... tudo bem! Mas são necessários até certo ponto: como ajuda a essa história de amor". Porque, "quando a organização toma o primeiro lugar, o amor diminui, e a Igreja, pobrezinha, se torna uma ONG. E esse não é o caminho".

O IOR, ou ao menos também o IOR, em suma, "é necessário até certo ponto". Uma frase que se presta a várias interpretações. Sobre as escolhas do pontífice que deseja "uma Igreja pobre e para os pobres", giram as hipóteses mais disparatadas: desde o fechamento tout court do IOR, ao papa que se livra dele cedendo-o in futuro a uma instituição bancária externa.

Além dos boatos, no entanto, nada está decidido. O "grupo" de oito cardeais de todo o mundo escolhido por Francisco para estudar a reforma da Cúria vai se reunir em outubro. Mas as coisas vão mudar: muitos venenos e confrontos de poder. O próprio coordenador do "grupo", o cardeal Oscar Maradiaga, disse que "seguramente" também se abordará a "reforma" do IOR. A gestão do Instituto não havia se saído bem das reuniões dos cardeais antes do conclave.

O nigeriano John Onaiyekan, para indicar o clima, suspirava: "Não sei se São Pedro tinha um banco.O IOR não é um dogma". O papa, a quem Ratzinger transmitiu o relatório secreto sobre o Vatileaks, tem o quadro da situação. Certamente, haverá uma reorganização radical da Cúria e, portanto, também uma "simplificação" das realidades econômicas vaticanas.

Faz-se a suposição de que a APSA, a Prefeitura dos Assuntos Econômicos e o Governatorato confluam em uma terceira seção da Secretaria de Estado. Enquanto isso, a pedido do Vaticano, os controles europeus do Moneyval sobre a transparência foram adiados para dezembro. Na manhã dessa quinta-feira, Francisco recebeu o cardeal Coccopalmerio, autor de um "esboço" de reforma para tornar a Cúria mais "eficiente".

O papa já deu sinais eloquentes, começando pelo cancelamento da indenização concedida aos cinco cardeais da comissão de vigilância do IOR, renovada (por cinco anos) antes do conclave: descobriu-se que cada cardeal, além dos 5 mil euros mensais de salário, recebia 25 mil euros por ano de bônus, zerado pelo papa.

Quando se tornou arcebispo de Buenos Aires, além disso, ele eliminou as participações da diocese nos bancos para garantir maior rigor. Antes da audiência geral – onde se encontrou e garantiu a sua ajuda às Avós da Praça de Maio, que lutam para saber a verdade sobre os desaparecidos –, Francisco explicou, nessa quarta-feira, que "a Igreja não cresce por força humana", mas nasceu "no coração do Pai", uma "história de amor": "Se não entendermos isso, não entendemos nada sobre a Igreja".

Eis o essencial, com o devido respeito aos "alpinistas" dos quais ele falava no outro dia, os "ladrões e salteadores" que buscam a própria glória: "A Igreja é outra coisa".