O Inácio dos Exercícios de Francisco

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25 Abril 2013

Um dos "lugares comuns" mais difundidos e enraizados a propósito de um novo papa, até o dia 13 de março passado, era que era impossível (senão até ocultamente "proibido") escolher um jesuíta. Fomos muitos os que, em 2005, previram que o cardeal Martini nunca subiria ao sólio pontifício "porque era da Companhia"; levamos a nossa prudente imprevidência ao ponto de não levar em conta alguma, durante o último conclave, o fato de que o cardeal Bergoglio, por proposta de Martini, havia obtido, contudo, tantos votos no conclave anterior.

A análise é do historiador italiano Franco Cardini, professor do Istituto Italiano di Scienze Umane (Sum), em artigo para o jornal Il Sole 24 Ore, 21-04-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Pois bem, o ano de 2013 apagou o preconceito generalizado sobre a impossibilidade de um papa jesuíta: e isso produziu tanta admiração que alguns se perguntaram se, por acaso, não estávamos realmente "no fim dos tempos" e se a "profecia de Malaquias" não estava certa. Ainda mais que o próprio nome escolhido pelo Papa Bergoglio, o de Francisco, parece ser, em muitos aspectos, revolucionário. Além disso, que um jesuíta se faça promotor da sensibilidade "franciscana" é, em si mesmo, um outro belo oxímoro.

Mas o novo pontífice continua sendo, e como, apesar de tudo, um filho da Companhia: já que podemos considerar sem hesitar que, caso contrário, a poucas semanas da sua eleição, certamente não teria sido publicada, em uma rápida tradução italiana, uma coleção de lições-meditações que o cardeal Bergoglio publicou no ano passado em castelhano e nas quais, evidentemente, ele não só se reconhece, mas também gosta de ser reconhecido.

Belas, límpidas e eruditas páginas: mas pensadas e redigidas no rastro fiel, embora original, aos Exercitia spiritualia que o fundador da Companhia de Jesus, o basco-navarrês Íñigo López de Loyola publicou mais ou menos aos 46 anos em 1548. E, com efeito, não devemos defini-las como "lições-meditações" (chamemo-las, contudo, se quisermos, de homilias-conversas), assinadas por Jorge Mario Bergoglio, sob o título Papa Francesco. Aprite la mente al vostro cuore, em um livro nem tão pequeno, 270 densas páginas (Milão: RCS Libri, 2013): mas sim, para sermos mais precisos e fiéis ao seu espírito, verdadeiros "exercícios".

Na realidade, o título escolhido pela editora italiana remete com transparência para o célebre Aprite le porte al Cristo, de João Paulo II: mas o título do original, Mente abierta, corazón creyente, é muito mais coerente com a mensagem e a metodologia jesuíticas, já que se refere explicitamente àquele acordo profundo entre inteligência e fé, que constitui, juntamente com a restrita disciplina, o núcleo da inspiração inaciana.

Como, aliás, também reafirma no Prefácio José Maria Arancedo, arcebispo de Santa Fe de la Vera Cruz, o centro do pensamento expresso pelo então cardeal Bergoglio, hoje Papa Francisco, é que nem tanto só o saber, mas sim o sentir e o saborear intimamente que constituem a autêntica chave para se aproximar da Verdade divina.

Como o exercício permite suportar até mesmo os esforços extremos, o exercício espiritual fortalece e desenvolve a capacidade humana de entrar em relação com Deus e com a consciência cristã, apoiada pelo conhecimento das Escrituras e da presença da fé, que dispõe o fiel ao diálogo com Jesus.

E, de fato, justamente "Os diálogos de Jesus" dão o título à primeira das quatro partes em que o livro está dividido e que, em 14 capítulos breves – os "exercícios", justamente –, aborda principalmente a Palavra do Filho de Deus acolhida e meditada através da Escritura; as outras partes são dedicadas à Epifania-manifestação, nove "exercícios" sobre a divindade de Cristo; "Cartas às sete Igrejas", outros oito "exercícios" com referência propriamente apocalíptica às características e aos defeitos da Igreja como sociedade humana e às provas de que ela é chamada a suportar no tempo presente; a "A nossa carne na oração", sete "exercícios" que são, talvez, os mais penetrantes, dedicados justamente à relação entre a vida, o sofrimento, o compromisso do viver. Uma espécie de "manual de combate" muito inaciano. Um denso índice resume todo o livro.

A obra, resultado de escritos de ocasiões diversas estratificados no tempo, encontra a sua unidade na medida em que se apresenta agora como um firme programa de governo apostólico: já que, em termos de advertência escatológica explícita, o Papa Francisco lembra que seremos julgados não segundo o nosso conhecimento, mas sim "segundo o quanto nos aproximarmos da carne sofredora, segundo o quanto soubermos ver no outro o nosso 'próximo'".

Um desafio que parece feito justamente para ser acolhido e reproposto. Esse papa – proveniente de uma confraria fundada há meio milênio por um velho soldado e que escolheu como nome apostólico o de alguém que quis ser semelhante a Cristo, sobretudo na pobreza –, nos pede para ser julgado, como pontífice, a partir daquilo que concretamente souber e quiser fazer pelos pobres. Um desafio difícil sempre: quase desesperado nos tempos de hoje. Así te valga Dios, hermano Francisco!