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11 Abril 2013

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo João 21, 1-19, que corresponde ao 3º Domingo de Páscoa, ciclo C do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.

Eis o texto


Fonte: www.periodistadigital.com/buenas-noticias.php

O epílogo do evangelho de João recolhe um relato do encontro de Jesus ressuscitado com Seus discípulos na margem do lago da Galileia. Quando se redige, os cristãos estão vivendo momentos difíceis de prova e perseguição: alguns renegam sua fé. O narrador quer reavivar a fé dos seus leitores.

Aproxima-se a noite e os discípulos saem a pescar. Não estão os doze. O grupo desfez-se ao ser crucificado o seu Mestre. Estão novamente com os barcos e as redes que tinham deixado para seguir Jesus. Tudo terminou. De novo estão a sós.

A pesca resulta num fracasso completo. O narrador realça-o com intensidade: “Saíram e entraram na barca. Mas aquela noite não pescaram nada” (21,3b). Voltam com as redes vazias. Não é esta a experiência de não poucas comunidades cristãs que veem como se debilitam as suas forças e a sua capacidade evangelizadora?

Frequentemente, os nossos esforços no meio de uma sociedade indiferente não obtêm resultados. Também nós constatamos que as nossas redes estão vazias. É fácil a tentação do desalento e do desespero. Como sustentar e reavivar a nossa fé?

Neste contexto de fracasso, o relato diz que “quando amanheceu, Jesus estava na margem” (21, 4a). No entanto, os discípulos não o reconhecem a partir do barco. Talvez seja a distância, talvez a bruma do amanhecer, e sobretudo os seus corações entristecidos que lhes impedem de ver. Jesus fala com eles, mas “os discípulos não sabiam que era Jesus” (21, 4b).

Não é este um dos efeitos mais perniciosos da crise religiosa que estamos sofrendo? Preocupados em sobreviver, constatando cada vez mais a nossa debilidade, não nos é fácil reconhecer entre nós a presença de Jesus ressuscitado, que nos fala a partir do Evangelho e que nos alimenta na celebração da ceia eucarística.

É o discípulo mais querido de Jesus o primeiro que o reconhece: “É o Senhor!” (21,7). Não estão a sós. Tudo pode começar de novo. Tudo pode ser diferente. Com humildade, mas com fé, Pedro reconhecerá o seu pecado e confessará o seu amor sincero a Jesus: “Senhor, Tu sabes que eu te amo” (21, 16b). Os demais discípulos não podem sentir outra coisa.

Em nossos grupos e comunidades cristãs necessitamos de testemunhas de Jesus. Crentes que com a sua vida e a sua palavra nos ajudem a descobrir nestes momentos a presença viva de Jesus no meio da nossa experiência de fracasso e fragilidade. Nós, cristãos, sairemos desta crise acrescentando nossa confiança em Jesus. Hoje não somos capazes de imaginar a Sua força para nos tirar do desalento e da desesperança.