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Índios e ribeirinhos fazem nova ocupação de Belo Monte

Cerca de 150 pessoas, entre ribeirinhos e indígenas Juruna, Xypaia, Kuruaia e Canela, ocuparam o canteiro de obras de Pimental, um dos quatro de Belo Monte, na madrugada desta quinta, 21.

A ação começou as 4 h da manhã com o trancamento da estrada de acesso ao canteiro, mas um veículo, que conseguiu furar o bloqueio, acionou a Força Nacional de Segurança, que se deslocou para o local e tentou impedir a entrada dos manifestantes na área da obra, exigindo que fosse destacado um porta-voz para negociar as reivindicações. Como não houve acordo quanto a esta demanda, o grupo todo resolveu entrar no canteiro e seguiu até os alojamentos, solicitando que os trabalhadores deixassem as instalações.

A informação é do Movimento Xingu Vivo Para Sempre, 21-03-2013.

Segundo representantes dos manifestantes, muitos operários apoiaram a ação e afirmaram que o sistema de trabalho se assemelha ao de uma prisão, mas a confusão é grande porque eles não sabem para onde ir.

O grupo de manifestantes está dividido entre a comunidade do Jericoá oito famílias de índios Xypaia, Kuruaia e Canela, que nunca recebeu nenhum atendimento da Funai e da Norte Energia, índios Juruna da aldeia Muratu, na Terra Indígena Paquiçamba, e ribeirinhos e colonos da comunidade do KM 45. Estes últimos dizem viver uma situação de grande insegurança, uma vez que o Consórcio Norte Energia teria dito a eles que não serão removidos, ao mesmo tempo que afirmaram aos índios Juruna que a terra pertence a eles. O medo é que esta situação crie um conflito entre indígenas e colonos.

Até o momento, as principais reivindicações dos manifestantes se referem às condições da comunidade de Jericoá, que já não consegue mais pescar, recebeu apenas uma parcela das compensações indígenas (a área onde vivem não tem demarcação), não tem água potável (poços artesianos), e seus barcos não suportam o sistema de transposição montado no barramento do Xibgu na altura do Pimental (são muito frágeis e quase ocorreu um grave acidente na última semana). Na última semana, a comunidade procurou a Funai para demandar assistência, mas, de acordo com os manifestantes, foram seguidamente “enrolados” e não obtiveram nenhuma resposta.

Já os colonos do KM 45 querem uma definição sobre a situação fundiária de suas terras, além de energia elétrica, que ainda não chegou às suas casas.

De acordo com os manifestantes, é possível que outros grupos indígenas se juntem aos protestos no decorrer do dia. As obras do canteiro de Pimental estão paralisadas.

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