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27 Fevereiro 2013

Eles são jovens profissionais, pequenos empresários, técnicos com formação universitária, economistas, comerciantes, artistas, 15% estão desempregados e todos estão fartos dos políticos tradicionais. Esse é, na realidade, o maior partido político da Itália hoje, formado por cidadãos que se dizem "antipolíticos" e conseguiram causar a maior surpresa nas eleições italianas. Ontem, os novos deputados não escondiam a euforia diante do resultado. Mas ainda não têm respostas para como aplicarão sua agenda política.

A reportagem é de Jamil Chade e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 27-02-2013.

O Movimento 5 Estrelas é liderado pelo comediante Beppe Grillo. Mas não é ele quem se sentará na cadeira do Parlamento. Isso porque, há 22 anos, ele matou três pessoas em um acidente de carro e decidiu que não teria direito de representar o povo politicamente. No novo Parlamento italiano, se um dia de fato entrar em vigor, 170 de seus membros virão do novo movimento, criado há apenas três anos.

A média de idade dos eleitos é de 32 anos e 40% deles são mulheres, a maior proporção entre todos os partidos na Europa hoje.

Com uma campanha fundamentalmente feita pela internet e um exército de jovens voluntários, o movimento acumulou mais de 7 milhões de votos (25%). O grupo conquistou 1 milhão de votos a mais que o partido de Silvio Berlusconi e três vezes mais que o movimento de Mario Monti, o primeiro-ministro demissionário. Hoje, Grillo é o personagem político com maior número de seguidores nas redes sociais, cinco vezes mais que o premiê britânico, David Cameron.

A lista de nomes do grupo é um espelho de uma geração que, até hoje, não havia conhecido a crise ou cortes sociais. "A guerra de gerações começou. Nossos eleitores estão cansados de corrupção e simplesmente abandonaram os partidos tradicionais", disse em entrevista ao Estado Carla Ruocco, uma das estrelas do novo movimento.

A sede do movimento contrastava-se ontem com a dos partidos tradicionais. Jovens circulando sem os ternos bem cortados dos políticos tradicionais italianos. O poder financeiro também se contrastava. Enquanto o grupo montou seu quartel-general em um hotel de 3 estrelas de Roma, o Partido Democrático alugou um palacete.

"Justamente o custo da política é algo que precisamos arrumar", disse Carla. "Hoje, políticos italianos gastam uma fábula e têm salários estratosféricos. Nossa primeira proposta no Parlamento será cortar os salários dos deputados e senadores", afirmou. "Queremos também o fim de vários governos provinciais, a redução no número de deputados e mesmo a união de municípios", acrescentou.

Questionada sobre se achava que o futuro da Itália estava em suas mãos, ela não fugiu à responsabilidade. "Não temos nas mãos o futuro da Itália, queremos é dar um futuro para esse país. Tenho um filho de 8 anos e outro de 6", disse. "Quero ajudar a dar um futuro para eles, num país meritocrático e transparente."

"A classe política na Itália frustrou milhões de pessoas por anos e já não mais representava os cidadãos. Passaram a estar distantes da sociedade e nossa vitória faz bem a todos, na Itália e na Europa", declarou Alberto Di Battisti, outro jovem deputado eleito. "Os partidos tradicionais receberam um duro recado: ou mudam ou vão desaparecer."

Apesar da euforia, não faltavam perguntas sem respostas no movimento. Sobre o fato de terem se tornado da noite para o dia na força que poderia permitir a formação de um governo, Carla Ruocco deixa a porta aberta. "Temos um programa detalhado que é para colocar no centro o cidadão", disse. "Vamos conversar com todos. Mas estamos determinados a manter tudo o que prometemos na campanha", insistiu. Na prática, ninguém sabe o que isso quer dizer.

Muitos dos deputados eleitos jamais conheceram Grillo. Poucos sabem como farão para aumentar aposentadorias e seguro-desemprego, como prometeram, nem como encontrarão dinheiro para nacionalizar bancos falidos ou financiar o projeto ambiental que defendem. Mas, por enquanto, a ordem é a de demonstrar força.

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