17 Fevereiro 2013
Massimo Faggioli, estudioso do Concílio Vaticano II e da história da Igreja, vive e leciona nos Estados Unidos, no departamento de teologia da University of St. Thomas, em Minneapolis/St. Paul, observatório ideal para analisar a instituição eclesiástica com o olho global de um mundo influente como o norte-americano.
A reportagem é de Luca Rolandi e publicada no jornal La Stampa, 17-02-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Eis a entrevista.
Depois da renúncia de Ratzinger, deve-se pensar no futuro. Quem, depois de Bento XVI?
É muito difícil fazer hipóteses. Ouellet tem o perfil certo, eu tenho dúvidas sobre Dolan. Eu ficaria contente se fosse Tagle. Além das apostas sobre o papa, há algo mais importante a se considerar. A passagem de pontificado comumente é precedida por um longo período de doença e decadência física do pontífice. Portanto, ainda é difícil fazer um balanço desse pontificado, embora excepcional na história da Igreja. Mas certamente parece que chegou o momento de um pontífice capaz de repensar algumas estruturas do governo da Igreja.
Cinquenta anos após o Concílio, será eleito um papa não europeu?
A Igreja Católica, especialmente a partir do Vaticano II, é uma Igreja global. Eu não vejo nenhuma dificuldade para eleger um papa norte-americano, africano ou asiático. O principal desafio é o de ter uma liderança capaz de "ver" a globalidade do catolicismo como sacramento da unidade do gênero humano. Nesse sentido, a experiência histórica de internacionalização da Cúria Romana deu resultados positivos e negativos: a abertura mental de uma pessoa não depende da cor do passaporte.
Por onde o novo papa irá começar?
O governo da Igreja Católica é tão importante quanto o das Igrejas locais. Em algumas questões, o Concílio Vaticano II ainda deve ser aplicado. É preciso ir além, em busca de novas soluções. A partir do meu observatório extraeuropeu, posso dizer que o catolicismo do outro lado do Atlântico se tornou "evangélico", no sentido de uma fé redescoberta e anunciada em primeira pessoa: nesse sentido, o desafio da nova evangelização é o primeiro desafio da Igreja. O diálogo com a cultura laica e com as outras religiões já faz parte do catolicismo, e voltar atrás é simplesmente impensável.