Ainda o mesmo refrão sobre mulheres, direto do planeta Marte

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16 Novembro 2012

No Sínodo, os bispos manifestam, mais uma vez, o desconhecimento do mundo real das mulheres - e também o dos homens.

A opinião é de Estelle R., publicada no sítio do Comité de la Jupe, 09-11-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Há dias em que eu me pergunto realmente se alguns prelados da Igreja Católica são verdadeiramente homens que vivem neste planeta de tanto que o seu olhar sobre o mundo está fora da realidade. O último exemplo disso? Os bispos, reunidos no Sínodo de 7 a 28 de outubro passado, sobre o tema da "nova evangelização", votaram uma lista de 58 proposições apresentadas no fim a Bento XVI. A proposição 46 diz respeito à "Colaboração entre homens e mulheres na Igreja".

Proposta 46: Colaboração entre homens e mulheres na Igreja

A Igreja aprecia a igual dignidade entre mulheres e homens na sociedade criados à imagem de Deus e na Igreja com base em sua vocação comum de batizados em Cristo. Os pastores da Igreja reconheceram as capacidades especiais das mulheres, como a sua atenção aos outros e os seus dons para a formação e a compaixão, mais especialmente em sua vocação de mãe. As mulheres, juntamente com os homens, são testemunhas do Evangelho da vida por meio de sua dedicação à transmissão da vida na família. Juntos, eles ajudam a manter a fé viva. O Sínodo reconhece que hoje as mulheres (leigas e religiosas), juntamente com os homens, contribuem para a reflexão teológica em todos os níveis e compartilham responsabilidades pastorais de novas formas, levando adiante assim a Nova Evangelização para a transmissão da fé.

Podemos apreciar o primeiro parágrafo que lembra (e felizmente) a igual dignidade entre homens e mulheres na Igreja, mas o segundo e o terceiro parágrafos são simplesmente repugnantes.

Não é revoltante ler que esses senhores ainda acreditam nas "capacidades especiais das mulheres"? Aparentemente, eles perderam todo o período (de ao menos um século, por sinal!) em que as mulheres não estão mais limitadas a empregos como enfermeiras ou professoras, atividades em que elas podem desdobrar toda a panóplia dos seus talentos inatos em matéria de amor ao próximo, de compaixão e de maternidade. Eles não devem nem ter percebido que Margaret Thatcher era uma mulher.

Escrever e votar tais barbaridades é revoltante demais para as mulheres, mas igualmente degradante para os homens! Isso significa que qualquer homem, independentemente do que faça, nunca estará à altura da sua companheira em matéria de educação dos seus filhos e em geral em matéria de amor ao seu próximo, porque, não sendo geneticamente programado para dar a vida, no fundo ele nada mais é do que um grande deficiente em altruísmo e em compaixão.

É um absurdo!!! Esses senhores nunca olhar ao seu redor? Por exemplo, eles não têm o exemplo de irmãos, de primos, de sobrinhos que tenham aquele instinto paterno, tão forte quanto o da mãe, que, notavelmente, faz com que segurem a mão da esposa no momento do parto? E o que dizer dos homens e das mulheres que não podem dar a vida, mas estão dispostos, pela adoção, a acolher uma criança? Ao menos são aptos à vocação da família?

Falemos novamente da vocação! O máximo do absurdo e da estupidez volta ainda com a menção à "vocação de mãe". Ah, a sacrossanta vocação da mãe! Ah, o modelo da Santa Virgem Maria! Além do peso (e dos estereótipos) que isso coloca sobre os ombros das mulheres, mais uma vez, isso é degradante para os homens. E a sua vocação específica de pai? É puramente material? Obrigado por trazer o dinheiro para alimentar a família e, eventualmente, por dar um beijo nas crianças antes de colocá-los na cama, e só?

E, indo mais longe, isso remete mais uma vez ao problema global das "vocações": cada um no seu galho e obrigado por não fazer confusão. Porque, no fim, as mulheres são instadas a fazer filhos... com quem, nos perguntamos, já que os homens têm a vocação ao presbiterado, como nos lembra a cada ano o dia das vocações?

Como a Igreja Católica, ainda nos nossos dias, pode votar textos que encerram desse modo os seres humanos? Como ela pode se aplicar consciente e conscienciosamente a levantar muros entre as pessoas, a determinar desse modo a sua vida e as suas ações apostólicas? Como pode validar tais inépcias e se dizer herdeira de um Cristo que derrubou tantas e tantas barreiras? Portanto, não, cem vezes não, homens e mulheres não podem aceitar pacificamente essa proposição do Sínodo.

(Se não estou totalmente amargurada, é porque eu aprecio muito o fato de que o Sínodo reconheça que as mulheres participam na reflexão teológica e podem ter responsabilidades pastorais.)