03 Novembro 2012
Desde a noite de quinta-feira, fiéis já se reuniam em Interlagos na região do novo santuário Theotokos - Mãe de Deus, o megatemplo do padre Marcelo Rossi. A inauguração do local ocorreu ontem com uma missa especial de duas horas pelo Dia de Finados. A obra, projetada pelo arquiteto Ruy Ohtake e financiada por doações e pela renda obtida com a venda de livros, CDs e DVDs de Rossi, começou em 2006 e ainda não está completamente acabada.
A reportagem é de Mariana Lenharo e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 03-11-2012.
Enquanto o antigo Santuário do Terço Bizantino, reduto anterior de Rossi, tinha capacidade para abrigar até 15 mil pessoas, o novo espaço consegue receber 20 mil pessoas em seu interior e mais 80 mil na parte externa. Ontem, a impressão era de que o espaço havia atingido a lotação máxima.
"Ninguém imaginava o número de pessoas de hoje. Mas foram tomando conta, invadiram a rua. É a inauguração, as pessoas querem conhecer. A tendência é depois voltar ao normal", disse Rossi em coletiva de imprensa. O aperto era tanto que, pouco antes do início da celebração, às 11 horas, muitos deixavam o local, desistindo de participar.
Sobre o fato de a obra ainda não ter sido concluída e ter muros e paredes ainda na fase do reboco, o padre justificou a situação mencionando a complexidade arquitetônica da estrutura projetada por Ohtake.
Nas palavras de Rossi, "só Deus sabe" quando o templo será totalmente concluído. Mas ele calcula que deve levar mais cinco ou dez anos.
O edifício ainda não tem o Habite-se, documento que comprova que a obra foi feita de acordo com a legislação. Tem apenas um alvará provisório de funcionamento, com validade até o dia 31 de dezembro.
Ohtake conta que vê o projeto como uma "doação para a humanidade". Sua intenção era que o espaço do interior da igreja fosse um local adequado para reflexão e meditação. "Gosto muito do padre Marcelo. Ele representa uma nova Igreja Católica, mais aberta, mais democrática, mais moderna. Ele prega o otimismo e a força", diz.
O padre citou que um dos movimentos responsáveis pelo comparecimento maciço em eventos católicos como esse é a Renovação Carismática. "A Renovação tem algo especial, que é a importância da missa não ser apenas um culto, mas um culto vivo, ao qual as pessoas não apenas assistem, mas participam."
Para o arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, o projeto arrojado era necessário. "Nem sempre temos esse espaço para acolher grandes quantidades de pessoas. Ele é bem-vindo: vai marcar Santo Amaro e São Paulo."
O governador Geraldo Alckmin, também presente no evento, lembrou que este é o segundo maior santuário do País, ficando atrás apenas do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida.
Para o prefeito Gilberto Kassab, o templo tem potencial para se tornar mais um símbolo da cidade. "Agora, que todos aqueles que desejam vir, possam vir com conforto e estar aqui renovando sua fé." A cerimônia teve a participação dos cantores Agnaldo Rayol e Alexandre Pires.
Rossi empolga fiéis com sucessos religiosos
Na cerimônia de ontem, cada música iniciada pelo padre Marcelo Rossi era acompanhada com entusiasmo pelos milhares de fiéis. Entre um salmo e outro, os presentes puxavam coros como "Ei, ei, ei, Jesus é nosso rei". Nem a lotação foi suficiente para desanimá-los. Muitos, já experientes, levavam bancos de plástico na cabeça.
Foi a terceira vez que a cozinheira Maria de Fátima Souza Santos, de 46 anos, levou os dois filhos, de 4 e de 18 anos, a uma missa celebrada pelo padre famoso. Mas é a primeira em que eles realmente conseguiram entrar na igreja. "Tinha muita gente, mas tentamos até conseguir entrar. Para mim, a missa foi linda. Só de estarmos aqui, já valeu a pena. O que a gente quer mesmo é ficar perto do Senhor, que é Jesus", diz Maria.
A diarista Jucilene Santos Santiago, de 42 anos, conta que chegou quase na hora da missa. "Devagarzinho, chegamos lá. Deu para ver tudo. Valeu, queria ver tudo de novo."
A auxiliar de enfermagem Celinda Carneiro, de 44 anos, participava pela primeira vez. "A Igreja não pode ser mórbida, tem de ser um lugar feliz. E a gente precisa de pessoas felizes, carismáticas, que tenham esse dom de trazer o povo para a igreja, e ele (Rossi) tem esse dom."
Em uma coletiva de imprensa depois da celebração, Rossi fez questão de enfatizar que os custos da obra foram pagos pelos lucros da venda de seus produtos, entre eles 3,5 milhões de CDs e 8,1 milhões de exemplares do livro Ágape. "Tudo foi investido aqui. Eu poderia ter mansões. Mas eu fiz questão de ter a mansão de Deus, que é esse local."
Apesar da falta de acabamento da obra, a partir de agora todas as celebrações do padre ocorrerão lá. De acordo com o arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, o templo servirá também como a catedral da diocese de Santo Amaro.