O intervalo médio entre os Concílios é de 80 anos (para Martini era demasiado longo)

Mais Lidos

  • Escala 6x1: "O trabalho engole tudo". O testemunho de um trabalhador

    LER MAIS
  • Quando o clericalismo se torna narcisismo, o altar transforma-se num palco. Artigo de Phyllis Zagano

    LER MAIS
  • Fim da escala 6x1 avança no Congresso após pressão popular. Destaques da Semana no IHUCast

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

15 Outubro 2012

Não existe uma regra sobre a “frequência” dos Concílios. Entre os bispos há quem afirma que 50 anos entre um Concílio e outro sejam demasiados e há quem jura que sejam demasiado poucos. “Desejaria que houvesse um Concílio cada vinte anos”, disse certa vez (em 2009) o cardeal Martini, numa entrevista televisiva que permaneceu inédita e transmitida no passado dia 8 de outubro pela Rai3. Provavelmente Martini, naquela ocasião, se recordara do Concílio de Constança que, na sessão de 9 de outubro de 1417 havia estabelecido que os “Concílios gerais” se celebrassem cada 10 anos: “De decennio in decennium”. Mas, aquela norma dita “conciliarista” – isto é, tendente a afirmar o primado do Concílio sobre o Papa – jamais foi aplicada.

A reportagem é de Luigi Accattoli e publicada pelo jornal Corriere della Sera, 11-10-2012. A tradução é de Benno Dischinger.

Os 21 Concílios “gerais” ou “ecumênicos” reconhecidos pela Igreja de Roma (do Concílio de Nicéia, do ano 325, ao Vaticano II de 1962 a 65) foram celebrados numa “distância” média, entre eles, de quase 80 anos. O intervalo mais longo foi aquele entre o Concílio de Trento (1545-1563) e o Vaticano I (1869-1870): 306 anos. O mais breve foi entre o Concílio de Constança (1414-1418) e o Concílio de Basiléia – Ferrara – Florença - Roma (1431-1445): 13 anos.

O Papa Bento está entre aqueles que consideram que cinquenta anos entre uma convocação e a outra sejam poucos. Ele afirmou diversas vezes que um Concílio constitui por si um momento “extraordinário”, de “emergência”, “cirúrgico” na vida da Igreja e é, portanto, bom que – enquanto possível – tal evento seja “raro” no tempo.

Quando ainda era cardeal, durante o Sínodo para a Europa, de 1999, a uma pergunta a ele dirigida em particular pelo cardeal Pio Laghi sobre a possibilidade de “um novo Concílio” – que precisamente naquele Sínodo por primeira vez tinha sido evocada pelo cardeal Martini – ele reagiu assim: “Eminência: responder-lhe-ei com a resposta que certa vez ouvi ser dada a tal questão pelo cardeal Döpfner em 1975, numa sessão da secretaria do Sínodo: “Não durante a minha vida”.“