28 Setembro 2012
Nos últimos meses, chegaram da hierarquia católica algumas intervenções que reiteraram a importância do Concílio Vaticano II, no caminho histórico da igreja.
A nota é do cientista político e leigo católico italiano Christian Albini, publicada no blog Sperare per Tutti, 27-09-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
No dia 1º de setembro, foi publicado um artigo no L'Osservatore Romano, passado um pouco despercebido, porque eram os dias da morte de Martini, que, apresentando a semana de estudos da Associação de Professores de Liturgia, usava palavras muito claras:
Nunca como no Vaticano II uma reforma litúrgica se beneficiou da grande autoridade de um concílio ecumênico. Todo o movimento de reforma da Igreja encontrou o seu início com a liturgia, e, fato não marginal, quem promulgou a Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium, juntamente com os bispos, foi Giovanni Battista Montini. Montini viu-se assim implementando como papa aquilo que queria como arcebispo.
A renovação litúrgica promovida pelo Vaticano II certamente encontrou em Paulo VI um autêntico promotor e intérprete. Ele quis dar início à reforma litúrgica, especificar seus critérios, manter seu impulso, fazer com que se estudassem a fundo as questões, definir o seu projeto, explicá-la ao povo de Deus, defendê-la de ataques injustificados, captando todas as vezes os seus pontos-chave e principalmente a sua relevância para a vida da Igreja, exortando o povo de Deus, em inúmeras ocasiões, a acolher o seu princípio fundamental: a participação ativa.
Em tempos em que a palavra "reforma" parece suspeita na Igreja Católica, e em que muitos minimizam o porte do Vaticano II, uma intervenção desse gênero se distingue.
Na audiência do dia 26 de setembro, foi Bento XVI quem voltou sobre a Constituição litúrgica do Concílio.
Essas intervenções se explicam também à luz da notícia divulgada nessa quinta-feira de uma carta de Bento XVI ao superior dos tradicionalistas lefebvrianos em que indicava, na aceitação do Vaticano II e do magistério posterior, uma condição para o seu retorno à comunhão com a Igreja Católica. Uma condição que muitos líderes lefebvrianos consideram inaceitável. Não por acaso, o novo prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Ludwig Müller – distinguindo-se do estilo um pouco incolor do seu antecessor –, logo se mostrou firme nesse aspecto.
A sensação é de que, na tentativa de recompor o cisma realizado por Lefebvre, todo o concedível foi concedido por parte de Roma, sem encontrar uma vontade real de diálogo e de encontro. Isso leva agora a reequilibrar alguns desequilíbrios que haviam provocado tensões na Igreja Católica.