Bebês e imigrantes

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10 Setembro 2012

"O Brasil se converte, cedo demais, numa sociedade fria em desenvolvimento demográfico. Uma das vantagens dos EUA, no cotejo com as outras nações ricas, é terem se mantido ativos no crescimento populacional, em razão da fertilidade das mulheres e da imigração", avalia Vinicius Mota, jornalista, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 10-09-2012.

E ele propõe: "Mais imigrantes e mais bebês para o Brasil".

Eis o artigo.

O Brasil melhorou muito nos últimos 20 anos. Uma sociedade antes obcecada por tablitas, gatilhos e rendimento diário da poupança hoje discute e age para ampliar e melhorar a infraestrutura dos próximos 30 anos.

Enquanto essa transformação ocorria na superfície visível das relações econômicas, um outro fenômeno alterava a configuração de nossa população -a queda acentuada nos nascimentos de bebês.

Cada 100 brasileiras concebem, na média, 170 filhos durante a vida. A fertilidade aqui ficou menor que no Reino Unido (190), na França (200) e nos EUA (200).

Taxas abaixo de 200 filhos por 100 mulheres são vetores de declínio populacional à frente. Preconizam, antes disso, a queda da população em idade de trabalhar.

Nesse ritmo, é provável que a massa de trabalhadores brasileiros comece a cair, em termos absolutos, em meados da próxima década - enquanto os EUA devem registrar expansão até o meio do século. Num cenário otimista, em 15 anos o Brasil terá tempo de elevar a renda per capita dos atuais US$ 12 mil para o nível de hoje dos gregos em crise (US$ 24 mil).

Ainda muito distante do americano (US$ 50 mil), do japonês (US$ 47 mil) e do alemão (US$ 43 mil) de hoje, o trabalhador brasileiro da próxima década terá de ser obsessivamente produtivo para contrariar a tendência histórica e preservar um ritmo razoável de alta na renda nacional.

A impressão é a de que o Brasil se converte, cedo demais, numa sociedade fria em desenvolvimento demográfico. Uma das vantagens dos EUA, no cotejo com as outras nações ricas, é terem se mantido ativos no crescimento populacional, em razão da fertilidade das mulheres e da imigração.

Mais imigrantes e mais bebês para o Brasil. Eis um bom debate, a ser travado já, numa sociedade que aos poucos reaprende a olhar para o futuro.