Por: André | 04 Setembro 2012
O governo da Venezuela garantiu neste domingo que “não foram encontradas evidências” da suposta chacina, em 05 de julho passado, de dezenas de indígenas yanomami no sudeste do Estado Amazonas venezuelano por parte de mineiros ilegais brasileiros – garimpeiros.
A reportagem está publicada no jornal espanhol El País, 02-09-2012. A tradução é do Cepat.
Na ocasião, três testemunhas relataram que um helicóptero disparou e explodiu a oca – o shabono – onde viviam cerca de 80 indígenas yanomami da comunidade Irotatheri, em uma zona fronteiriça com o Brasil na qual garimpeiros ilegais exploram, há cerca de três anos, duas minas de ouro. A denúncia foi feita pela organização indígena Horonami, mas nem as autoridades venezuelanas nem as organizações indígenas haviam conseguido até então verificar o ocorrido.
O Governo de Hugo Chávez anunciou no sábado que a ministra do Ministério de Povos Indígenas, Nicia Maldonado, e outras autoridades já se encontravam no local. Depois, Maldonado comunicou que “não se encontrou evidências de nenhuma morte ou não se encontrou evidência de casa ou shabono incendiada nestas comunidades assinaladas como cenário deste suposto crime”.
O ministro do Interior Tareck el Aissami assinalou, por sua vez, que não foi encontrada nenhuma “situação de violência” nas sete comunidades visitadas, mas precisou que restavam duas comunidades da etnia yanomami do Amazonas, mas não a primeira. Em 2008, morreram cinco indígenas na comunidade de Momoi, intoxicados pelo mercúrio utilizado pelos garimpeiros para a exploração do ouro, que contaminou fortemente os solos e rios da zona. Em 1993, 16 indígenas foram assassinados por mineiros ilegais brasileiros no povoado de Haximú.
A Venezuela assinou em março passado um acordo na Corte Interamericana de Direitos Humanos pelo qual se compromete a garantir a integridade do povo yanomami, além de fazer justiça no caso do Massacre de Haximú.