Assange diz ser vítima de 'caça às bruxas'

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Por: Cesar Sanson | 20 Agosto 2012

O criador do site WikiLeaks, Julian Assange, disse neste domingo que há uma "caça às bruxas" promovida pelos EUA contra ele.

A reportagem é do portal da BBC Brasil, 19-08-2012.

O australiano fez sua primeira aparição pública desde junho, quando se refugiou na Embaixada do Equador em Londres, na tentativa de escapar de um pedido de extradição à Suécia, onde é acusado por duas mulheres de abuso sexual.

Assange afirma temer que, se for levado para a Suécia, pode ser extraditado de lá para os EUA - onde não foi formalmente acusado, mas enfrentaria possíveis acusações de espionagem por ter revelado, pelo WikiLeaks, milhares de documentos diplomáticos confidenciais. "Peço que (o presidente dos EUA) Barack Obama renuncie a essa caça às bruxas de investigar e processar o WikiLeaks", afirmou Assange, defendendo o seu site por "lançar luz sobre os segredos dos poderosos".

Ele também pediu a libertação de Bradley Manning, o soldado americano que está preso e aguarda julgamento, sob acusação de ter passado segredos militares americanos ao WikiLeaks. Assange recebera, na última quinta-feira, asilo político do Equador, mas a Grã-Bretanha não lhe deu um salvo-conduto para que ele possa viajar ao país latino-americano. Sendo assim, Assange está isolado na embaixada equatoriana, correndo o risco de ser preso pela polícia britânica caso deixe a representação diplomática.

Com isso, seu discurso neste domingo foi cercado de expectativa. Dezenas de simpatizantes do WikiLeaks assistiam e aplaudiam do lado de fora enquanto Assange falava por microfones da varanda da embaixada.

"Obrigado por sua generosidade de espírito", disse Assange aos simpatizantes. "Ouvi policiais (na embaixada), mas sabia que tinha testemunhas, que o mundo estaria assistindo", agregou, em referência à possibilidade de a polícia britânica entrar na embaixada para prendê-lo. Ele também agradeceu o Equador e citou nominalmente os países da OEA (Organização dos Estados Americanos), Brasil incluído, pedindo que eles "defendam o direito ao asilo" - isso porque a OEA realizará uma reunião, na próxima sexta-feira em Washington, para discutir o caso.

'Garantias'

Horas antes, Baltasar Garzón, advogado de Assange, havia dito que seu cliente está "disposto a responder pelas acusações" que enfrenta na Suécia, mas quer "garantias" de que não será extraditado.

"(Assange) quer garantias mínimas das autoridades suecas, que não foram outorgadas", afirmou Garzón à imprensa, diante da embaixada do Equador. O jurista espanhol é famoso por ter, quando desempenhava o papel de juiz em seu país, ordenado a prisão do ex-líder chileno Augusto Pinochet. Garzón também afirmou que o criador do WikiLeaks está "com espírito combativo" e "agradecido" ao povo equatoriano.

Na última quinta-feira, o australiano de 41 anos teve seu pedido de asilo concedido pelo Equador - sob a alegação de que Assange pode ser vítima de perseguição política.

Impasse diplomático

Na quarta-feira o Ministério das Relações Exteriores britânico enviou um comunicado ao governo do Equador dizendo que a Grã-Bretanha estava "determinada" em cumprir sua obrigação de extraditar Assange à Suécia e que, de acordo com uma lei nacional, poderia "revogar a imunidade diplomática" da embaixada e prender o australiano no interior do prédio.

Protocolos internacionais estabelecem que territórios diplomáticos não podem ser violados pela polícia, a não ser que com a permissão do chefe da missão diplomática em questão. Analistas afirmam que, se a Grã-Bretanha de fato violar a integridade da embaixada equatoriana, pode ser alvo de duras críticas internas e da comunidade internacional. Já os EUA afirmaram que não pretendem "intervir" no assunto. O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, afirmou que o país "não interviu

"Os EUA veem isso como um assunto que deve ser resolvido entre o governo britânico, o governo equatoriano e o governo sueco", disse o porta-voz da Casa Branca Josh Earnest, em declarações à imprensa a bordo do avião presidencial, Air Force One.

A Suécia, por sua vez, criticou o Equador, alegando ser "inaceitável que o país queira impedir o andamento do processo judicial sueco". O país quer a extradição de Assange para poder questioná-lo a respeito das acusações de abuso.

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