Os trabalhadores dos três turnos aprovaram a proposta de licença remunerada para 940 metalúrgicos e a abertura de um programa de demissão voluntária (PDV) para outros 900, considerados excedentes na unidade da General Motors de São José dos Campos, a 90 km de São Paulo.
A reportagem é de Gerson Monteiro e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 08-08-2012.
Nas duas assembleias, trabalhadores comentaram o desconforto de votar sob pressão. "Desde janeiro que estamos tensos, só se ouve falar em demissão lá dentro", comentou o metalúrgico Carlos Roberto Chaves, que trabalha na GM há 32 anos na área de injeção de plásticos.
Para Carlos Ferreira, que está na GM há 17 anos e trabalha no setor mais afetado (Montagem de Veículos Automotores), "a negociação foi frustrante, pois esperava que depois de nove horas de discussão pelo menos saíssemos daqui hoje com tudo resolvido e não jogar essa decisão lá para a frente".
Segundo o sindicalista Luiz Carlos Prates, o Mancha, a aprovação do acordo foi a melhor decisão no momento. A entidade deve buscar agora uma mobilização dos trabalhadores para pressionar governos em São Paulo e em Brasília, para que a cidade receba novos investimentos e consiga reverter a decisão da GM em São José dos Campos, que busca a competitividade. "Queremos que todos tenham a estabilidade do emprego", disse Prates, que descartou a possibilidade de negociação para reduzir salários.
No último PDV na unidade, entre junho e julho, 356 trabalhadores deixaram a empresa. Somadas as últimas demissões com a projeção dos excedentes, somente no segundo semestre a GM deverá dispensar cerca de 30% do seu pessoal no Vale do Paraíba, fechando 2012 com pouco mais de 5 mil funcionários, ante os 7.800 que tinha em maio.

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