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Nas montadoras do ABC, acordo de 2011 garante ganho real este ano

Os metalúrgicos do ABC que trabalham nas montadoras de automóveis garantiram ganho real de 2,39% em 2012, segundo o acordo válido por dois anos que foi fechado na campanha salarial do ano passado. Dessa forma, a categoria está protegida de eventuais efeitos do arrefecimento no setor automotivo sobre a negociação salarial mais influente do país.

A reportagem é de Carlos Giffoni e publicada pelo jornal Valor, 07-08-2012.

Cerca de 36 mil trabalhadores já têm esse índice garantido, de acordo com o sindicato da categoria - cuja base no ABC ultrapassa 105 mil pessoas. Com data-base em 1º de setembro, o sindicato está em negociação para que os demais grupos patronais, como de autopeças, fundição e estamparia, também conquistem o mesmo índice de aumento real.

Tradicionalmente, os acordos fechados entre os metalúrgicos nas montadoras são seguidos pelos demais setores patronais. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a proposta de ganho real de 2,39% já foi entregue e as negociações ocorrerão ao longo deste mês.

No ano passado, a categoria negociou aumento nominal de 10%, sendo 2,55% de ganho real. O acordo para o biênio estipulava 5% de aumento real para o período. Neste ano, o aumento nominal será menor, uma vez que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado em 12 meses, utilizado para deflacionar salários, recuou.

Enquanto em agosto de 2011 o índice estava em 7,39%, em junho deste ano o INPC em 12 meses acumulava alta de 4,91% - se mantido esse índice até agosto, o aumento nominal dos trabalhadores metalúrgicos em setembro ficará em 7,42%.

O acordo por dois anos, fechado em 2011, já considerava possíveis impactos da crise internacional no mercado automotivo. À época, o presidente do sindicato, Sérgio Nobre, afirmou que esse ganho real imunizava a remuneração dos metalúrgicos de um provável arrefecimento da atividade do setor em 2012.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção de veículos caiu 18% no primeiro semestre deste ano, na comparação com igual período de 2011. O desempenho foi puxado pelo setor de caminhões, que antecipou a produção no fim de 2010, devido à exigência do uso do motor Euro 5, mais caro, a partir deste ano.

Após um período de acúmulo de estoques, que bateram níveis recordes, o setor automotivo dá sinais de recuperação. Ontem, a Anfavea, entidade que reúne as montadoras instaladas no país, divulgou que as vendas de veículos subiram 18,9% em julho, atingindo 364,2 mil unidades - segundo melhor desempenho mensal da história.

Os números confirmam uma reação do setor após o pacote de incentivos à indústria anunciado pelo governo. Em maio, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) da indústria automobilística foi reduzido. Na semana passada, contudo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que não pretende estender a vigência do benefício, que acaba no fim deste mês. Desde o início de agosto, entretanto, o setor de autopeças conta com a desoneração da folha de pagamentos.

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