Assembleia das religiosas da LCWR: uma reflexão sobre o futuro

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07 Agosto 2012

Depois de uma primeira resposta do Conselho Diretivo que praticamente devolvia ao remetente as acusações, depois de um longo período de silêncio em que os leigos e leigas haviam se mobilizado com manifestações de rua, depois de notáveis atestados de apoio de religiosos homens e de perguntas e respostas em um programa de rádio à distância entre a presidente, Pat Farrell, e o bispo Blair, membro da comissão instituída por Roma, a partir desta terça-feira, 7 de agosto, as religiosas da Leadership Conference of Women Religious (LCWR) reúnem-se em assembleia anual em St. Louis, no Missouri, EUA.

A reportagem é de Maria Teresa Pontara Pederiva, publicada no sítio Vatican Insider, 06-08-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A tradicional semana de agosto da LCWR (80% das religiosas norte-americanas, com idade média acima dos 70 anos) terá como tema: "O mistério em desdobramento: Liderar no agora evolucionário". Conferência principal de Barbara Marx Hubbard, leiga nascida em 1929, formada em ciências políticas pela Sorbonne, de Paris, autora de livros sobre o futuro.

O encontro – lê-se no site da Conferência – oferece às participantes um momento de formação e de reflexão sobre questões relativas à vida religiosa, à liderança, ao trabalho em rede, à oração e à celebração. Espaço adequado para as votações sobre vários temas, incluindo resoluções oficiais.

Muitos leem nisso algo referente à "questão vaticana". Que não deve ser considerada "um desafio", como repetiu a Ir. Farrell nos últimos dias aos jornalistas.

Enquanto isso, há notícias de mais de 30 vigílias tudo um pouco por todo o país – de Anchorage, no Alasca, a Myers, na Flórida, as "Sister Cities" – para testemunhar solidariedade com as irmãs. A Catholic Action Network se prepara para acolhê-las no aeroporto de St. Louis.

"É um momento histórico para os católicos", declara Jim FitzGerald, da Call To Action, ao jornal National Catholic Reporter. "Como povo de Deus, somos chamados a trabalhar pela justiça, uma mensagem que as nossas irmãs católicas nos ensinaram durante décadas e pela qual agora são criticadas".

Patrick T. Reardon, sobrinho de uma dominicana falecida no ano passado aos 93 anos, associa a atitude do Vaticano à dos produtores de Hollywood: em ambos os casos, nota-se apenas incompreensão. No padrão cinematográfico, as irmãs são vistas como um pouco ingênuas: mulheres ingênuas que prestam ajuda gratuitamente, em contracorrente com relação ao consumismo e, com o voto de castidade, com relação à concepção materialista do sexo.

Mas elas também representam um desafio à estrutura do poder masculino da Igreja Católica – um tema recorrente nos jornais seculares – e incutem temor que se transforma em ataque. E Reardon é duro e fala de "lento trituramento das consciências até a submissão para vestir o cilício da ortodoxia romana".

Há, contudo, quem esteja em silêncio, como Peter J. Sartain, arcebispo de Seattle, presidente da comissão chamada para resolver a questão. Segundo o jornal Seattle Times, Sartain – 60 anos de idade, natural de Memphis – não cedeu diante da recusa de paróquias inteiras (com a catedral à frente) de recolher assinaturas contra a lei que permite as uniões gays no estado de Washington e, ao mesmo tempo, afirmou: "Eu não posso mudar o que diz a Escritura ou o que a Igreja ensina".

No entanto, ele é considerado um bom mediador, e isso poderia fazer a diferença. Enquanto isso, na próxima sexta-feira, 11 de agosto, é esperada a resposta da assembleia das religiosas.