Para analista, Assad pode tentar criar miniestado

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20 Julho 2012

Com a escalada das tensões na Síria, os chanceleres ocidentais temem outro cenário de horror: o uso de armas químicas pelo regime de Bashar al Assad contra os opositores. Há precedentes: o Iêmen nos anos 1960 e o Iraque de Saddam Hussein em 1988 e 1991. Antoine Basbous, cientista político e diretor do Observatório Árabe, consultoria especializada em questões árabes e islamitas, em Paris, acha, porém, que Bashar al Assad não será louco a ponto de usar arma química. Em contrapartida, Basbous levanta duas hipóteses em direção do desfecho da crise: que Assad tente negociar a transferência do poder para um ex-aliado que fez defecção e encontra-se em Paris, o general Manaf Tlass, da maioria sunita. E que, rejeitado pela comunidade internacional, tente criar um novo Estado no pequeno território controlado pelos alauitas, a minoria muçulmana que domina a Síria há 42 anos.

A entrevista é de Assis Moreira e publicada pelo jornal Valor, 20-07-2012.

Eis a entrevista.

O regime de Bachar al Assad foi decapitado realmente?

Houve uma decapitação do principal pilar da repressão do regime, os generais mais graduados do Exército e mais próximos de Assad. Esse golpe é sentido pelos homens do regime como um golpe fatal, muito rude. E pelos adversários do regime como um sucesso inimaginável, pois eles não poderiam nunca esperar atingir tantos altos graduados do regime de uma só vez. A partir de agora a psicologia do regime se desmorona e o moral de seus oponentes é muito bom.

Quanto tempo o regime sírio pode resistir?

Hoje o regime não controla mais nem a capital e tenta pelo menos ter o controle do palácio. A batalha avança bem, mas não terminou. Há uma aceleração, um golpe no moral de um regime já afetado por grandes decepções que chegariam a 70 mil militares. Enquanto isso, a oposição sente se aproximar o fim do regime. O Ramadã nesta sexta-feira [hoje] será um multiplicador do fervor dos que lutam contra esse regime, sobretudo da parte islamita, que considera os alauitas (minoria muçulmana) como heréticos.

Qual o risco de o regime usar armas químicas?

Não penso que o regime seja louco a esse ponto para recorrer a armas químicas. Arma química não faz distinção entre amigos e inimigos. O deslocamento de armas químicas observadas recentemente pode ter sido para colocá-las ao abrigo no território alauita, onde Bashar al Assad espera criar um novo Estado, ou então confiá-lo ao Hezbollah libanês. Nesse caso, Israel considerará o movimento como um "casus belli" e intervirá para impedir que as armas químicas caiam nas mãos do Hezbollah e aí o risco é enorme para toda a região.

Até que ponto o conjunto da região pode ser desestabilizado?

Quanto mais a queda do regime sírio se aproxima, menos a região será desestabilizada. Mas se a guerra se prolongar, haverá mais risco de desestabilizar a região, por causa da aliança do regime Assad com o Irã e a influência de Damasco sobre o Hezbollah libanês. No Líbano, o Hezbollah pode cometer agitações. Na Turquia, o PKK [curdo], sustentado pela Síria, pode também cometer atentados. E no Golfo, países como Qatar e Arábia Saudita, produtores de petróleo e gás, podem ser alvos de incêndios e atentados.

Qual o destino de Assad?

Pode haver o cenário como o de Gadafi na Líbia, com Assad fugindo de Damasco para se refugiar no território [da minoria muçulmana] alauita. Esse território tem 3 milhões de pessoas e 15 mil quilômetros quadrados dos 185 mil quilômetros quadrados da Síria. É uma vez e meia o Líbano, por exemplo. E de lá, Assad pode tentar confiar o regime a um ex-aliado que também fugiu recentemente, o general [Manaf] Tlass, que se refugiou em Paris e que poderia representar a maioria sunita.

Qual o impacto do acirramento da situação na Síria sobre a economia mundial?

A economia síria é controlada pela família Assad. O país só exportava 150 mil barris de petróleo por dia. Com as sanções internacionais, não exporta mais. Não acho que haverá maior impacto nos mercados internacionais. Certo é que a economia síria está em queda livre, não funciona mais, não há combustível nem mais para os tanques. As cidades estão cortadas umas das outras. O único país que ajuda a Síria é o Irã, e este também não está numa situação boa. É dramático.

O confronto é cada vez mais sangrento. O que a ONU pode fazer para um desfecho na Síria?

A ONU tem o conforto de nada fazer graças à oposição dos russos. O essencial é feito pela oposição síria. A ONU dá apoio moral. É só.

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