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Crise acirra rivalidade no Mercosul

A crise política no Paraguai, que culminou com a entrada da Venezuela no Mercosul, criou uma nova rivalidade na região: entre o novo governo instalado em Assunção e o líder da "revolução bolivariana", Hugo Chávez.

A reportagem é de Fabio Murakawa e publicada pelo jornal Valor, 06-07-2012.

A escalada da tensão entre os dois países começou logo depois do impeachment relâmpago de Fernando Lugo, em 22 de junho, quando seu aliado Chávez anunciou o corte do envio de petróleo ao Paraguai. Passou pela acusação de que o chanceler venezuelano, Nicolas Maduro, tentou insuflar um levante militar contra a deposição. Teve sequência com a retirada do embaixador paraguaio em Caracas e da declaração de "persona non grata" do titular da missão venezuelana em Assunção, por parte do governo de Federico Franco. E desembocou ontem na retirada de mais diplomatas, uma grave acusação de Chávez ao Senado paraguaio, que decidiu questionar a adesão da Venezuela ao Mercosul.

Em discurso transmitido pela TV, o presidente venezuelano acusou senadores paraguaios de pedir-lhe suborno para permitir o ingresso de seu país no bloco. "São uma verdadeira máfia pedindo dinheiro", disse Chávez sobre os senadores paraguaios, sem dar nomes, mas acrescentando haver testemunhas brasileiras e argentinas.

A adesão venezuelana já havia sido ratificada pelos Parlamentos de Brasil, Uruguai e Argentina, restando apenas o aval do Congresso paraguaio para que se concretizasse. Com o Paraguai suspenso, em uma manobra questionada, os líderes dos demais países decidiram incluir a Venezuela no bloco na semana passada, em uma cúpula na cidade argentina de Mendoza.

Apelando à ironia, Chávez também negou a acusação de que seu chanceler tenha tentado incitar um levante militar no Paraguai - um video divulgado pelo governo Franco mostra Maduro reunido com militares paraguaios no dia da destituição de Fernando Lugo. "Te invejo, Nicolas", afirmou o presidente, comentando a decisão do Paraguai de declará-lo persona non grata.

Chávez anunciou ainda a retirada de seus adidos militares de Assunção, alegando que eles sofriam "ameaças de morte", no mesmo dia em que o Senado paraguaio havia pedido ao Executivo para expulsá-los.

Também ontem, o Senado paraguaio "rechaçou" todas as decisões adotadas no encontro. Em uma nota, aprovada em plenário, a câmara alta afirmou que a suspensão é "ilegal, ilegítima e violadora do devido processo". Além disso, refutou a incorporação da Venezuela como membro-pleno do Mercosul sem a unanimidade de todos os países afiliados.

Segundo o jornal venezuelano "El Universal", os senadores paraguaios aprovaram ainda uma petição em que solicitam ao Executivo cópias dos documentos de adesão da Venezuela ao bloco, com a intenção de rechaçá-la.

Chávez, por sua vez, disse que o novo governo paraguaio é um "verdadeiro enclave ditatorial" que sobrou "quando foram desaparecendo as ditaduras militares".

Como se fosse pouca a tensão, o presidente do Uruguai, José Mujica, colocou ontem mais lenha na fogueira. Ele acusou setores do Partido Colorado paraguaio de tramar o impeachment de Lugo e insinuou ligações desses políticos com o narcotráfico.

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