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Censo apresenta falhas na classificação das religiões, aponta Altmann

O Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acerta no atacado, mas erra no varejo, disse o moderador do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), pastor luterano Walter Altmann, ao analisar os números divulgados sobre a população religiosa do Brasil.

A reportagem é de Edelberto Behs e publicada pela Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC), 02-07-2012.

Altmann foi um dos debatedores, hoje, do programa Polêmica, da Rádio Gaúcha, de Porto Alegre, que perguntou se o crescimento dos evangélicos deve-se à conquista de espaços entre a população brasileira ou à diminuição do número de católicos.

O Censo não sabe indicar se luteranos cresceram, ficaram estáveis ou diminuíram sua membresia na última década. O processo censitário considerou três grandes grupos de evangélicos: os de missão, os de origem pentecostal e os não determinados. Dos 42,2 milhões de evangélicos brasileiros, 9,2 milhões são indeterminados, classificação que nem o IBGE consegue definir com precisão. Nesses indeterminados podem aparecer luteranos, metodistas, presbiterianos, evangélicos, protestantes.

O padre Irineu Rabuske disse que os dados agora divulgados pelo IBGE sobre o Censo de 2010 não surpreenderam a Igreja Católica, que desde o primeiro processo censitário brasileiro, realizado em 1872, para os demais vê diminuir o número de fiéis.

Rabuske lembrou que ser católico no século XIX era quase que compulsório, pois a Igreja Católica era quase que a única denominação presente no país. Mas muitos não passavam de católicos nominais, disse. Que tipo de acompanhamento espiritual recebia o fiel de Uruguaiana, na fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina e o Uruguai, que via um padre vindo da capital, montado em lombo de burro, percorrendo uma distância de 700 Km de tempos em tempos? - indagou.

O pastor Eliezer Morais, da Assembleia de Deus, comentou fatores que levam a denominação a registrar um dos maiores índices de crescimento numérico no país. "Proclamamos o que herdamos da Reforma - a salvação somente pela graça, fé e escrituras - não clericalizamos a liturgia, trabalhamos com simplicidade, envolvidos com a realidade do povo brasileiro e fazemos com que os fiéis leiam a Bíblia", disse, em resumo.

Altmann destacou que o Brasil continua um país extremamente religioso e que esses movimentos que o Censo aponta, de crescimento de pentecostais, diminuição de católicos, dá-se entre denominações da cristandade.

O advogado e jornalista Milton Rubens Medran Moreira, do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, afirmou no Polêmica que o espiritismo entra no item das religiões do Censo assim como Pilatos entrou para o Credo Apostólico. Para ele, o espiritismo não é uma religião, mas uma filosofia. Com 3,8 milhões de seguidores, o Brasil é o país mais espírita do mundo, informou.

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