Irmãos gêmeos, José Leandro e José Leonardo da Silva, de 22 anos, voltavam abraçados de uma festa promovida pela prefeitura de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, na madrugada de domingo, quando foram abordados por oito homens que não conheciam. Leonardo ainda tentou reagir ao ataque homofóbico, mas morreu no local.
A reportagem é de Tiago Décimo e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 28-06-2012.
Os agressores saltaram de um micro-ônibus quando viram os irmãos abraçados, nas proximidades do Espaço Camaçari. A área é um tradicional ponto de shows. Os irmãos foram ameaçados com facas, espancados e apedrejados. Leandro sofreu fraturas na face, mas conseguiu, ainda antes de receber atendimento, acionar a polícia. Levado para o Hospital Geral de Camaçari, foi medicado e liberado, mas ainda deve passar por uma cirurgia corretiva.
Pouco depois das agressões, os criminosos foram encontrados por agentes da Polícia Rodoviária Federal e levados à 18.ª Delegacia de Polícia, responsável pelo caso. Com eles, foram localizadas duas facas e pedras.
Reconhecidos por Leandro, cinco foram presos em flagrante - e confessaram participação no crime. "Até agora os dados apontam para crime de homofobia", diz a delegada Maria Tereza Santos Silva.
Os detidos, que não tinham passagem pela polícia, dão versões diferentes para o crime. Um deles contou que houve uma briga na saída do show e, ao notar que seu irmão havia sumido na confusão, achou que os gêmeos o haviam agredido. Outro disse que, ao ver os irmãos abraçados, imaginou que fosse um homem agredindo uma mulher - e justificou-se dizendo que tentou defender a suposta vítima.
De acordo com a delegada, após a abordagem feita pelo grupo, Leonardo reagiu e chegou a tomar a faca de um dos agressores. Em seguida, foi atingido por um paralelepípedo, caiu no chão e passou a receber pedradas na cabeça do grupo, enquanto Leandro era espancado.
A namorada de Leonardo, uma adolescente de 15 anos, está grávida de três meses. O corpo do jovem foi enterrado na tarde de ontem em Ibimirim (PE), sua cidade natal. Segundo Maria Tereza, os agressores devem ser indiciados por homicídio qualificado (motivo fútil) e formação de quadrilha.
Criminalização
O Grupo Gay da Bahia (GGB), mais antigo grupo de defesa de homossexuais do País, reagiu ao crime, cobrando a aprovação da lei que torna a homofobia crime. "Enquanto isso não acontecer, muitos casos como esse vão continuar se repetindo", acredita o presidente da entidade, Marcelo Cerqueira.

"Até seria desde que aqui não tivéssemos os melhores profissionais, mas com amor ao q se propusera..."
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