Dilma comanda reação para evitar queda de paraguaio

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22 Junho 2012

A presidente Dilma Rousseff comandou ontem a reação de países latino-americanos para tentar evitar a queda do presidente do Paraguai, Fernando Lugo.

Logo cedo, Dilma e assessores avaliaram como tentativa de golpe de Estado o processo acelerado de impeachment que o Congresso paraguaio conduziu contra Lugo.

A reportagem é de Fernando Rodrigues e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 22-06-2012.

Em público, não usou a palavra "golpe", mas reservadamente era assim que o governo brasileiro se referia aos episódios no Paraguai.

A notícia foi surpresa para Dilma. A presidente foi informada no final da manhã de que deputados paraguaios haviam aprovado a abertura de processo de impeachment.

Segundo o assessor especial para assuntos internacionais da Presidência Marco Aurélio Garcia, já houve 23 anúncios de intenção de impeachment contra Lugo - eleito em 2008. O de ontem era só mais um, mas prosperou e surpreendeu a todos na Rio+20, no Rio de Janeiro.

Ao notar que era grave a situação no Paraguai, Dilma pediu que o assunto fosse tratado no âmbito da Unasul (União de Nações Sul-Americanas). Uma reunião foi agendada para 14h30, mas, antes, Lugo trocou telefonemas com colegas presentes ao Rio.

Participaram da reunião cinco presidentes. Além de Dilma, Evo Morales (Bolívia), Juan Manuel Santos (Colômbia), Rafael Correa (Equador) e José Mujica (Uruguai).

Durante a reunião, foi realizada uma conferência por telefone com Lugo, por meio de sistema de viva voz. A conversa durou cerca de 15 minutos. O paraguaio disse ser necessário agir com rapidez.

Os EUA, por meio do Departamento de Estado, pediram "escrupuloso respeito aos princípios do processo devido e dos direitos dos acusados", "em consonância com o compromisso do Hemisfério com a democracia".

Às 19h, o chanceler brasileiro Antonio Patriota partiu para o Paraguai, acompanhado de seus pares da Argentina, Colômbia, Uruguai e Venezuela. Em Assunção, o grupo se reuniu com Lugo na residência do presidente.

O secretário-geral da Unasul, Alí Rodríguez, disse no Rio de Janeiro que não há intenção de prejulgar o que se passa no Paraguai. Mas ressalvou que "todo processo dessa ordem precisa garantir o direito de defesa".

Marco Aurélio Garcia
disse ser relevante lembrar que o Paraguai faz parte da Unasul e do Mercosul. "Essas duas organizações têm cláusulas democráticas", disse. Ou seja, países que rompem com a democracia não podem permanecer membros.

O Brasil é o maior parceiro comercial do Paraguai na região. Não se falou ontem em algum tipo de retaliação, mas isso ficou implícito.

A atuação pró-ativa do Brasil a respeito do Paraguai contrasta com a política mais complacente com outras ameaças à democracia no planeta. Por exemplo, no caso dos conflitos na Síria, a diplomacia brasileira tem atuação mais comedida contra a ditadura local.