22 Junho 2012
As notícias sobre a Santa Sé dos últimos tempos, desde a descoberta do roubo de documentos confidenciais do papa até a prisão do seu mordomo, também surpreenderam o primaz da Igreja da França. O cardeal arcebispo de Paris, André Vingt-Trois, na imprensa da diocese, declara-se amargurado e perturbado com os vazamentos de notícias, que são um problema para toda a Igreja.
A reportagem é de Luca Rolandi, publicada no sítio Vatican Insider, 21-06-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Em entrevista à Rádio Notre Dame, o cardeal afirmou que Bento XVI foi traído no seu ambiente mais imediato. Mas esse fenômeno também é uma condição de toda a Igreja e, em particular, do funcionamento dos seus escritórios, começando pela Cúria Romana. Mas o aspecto que desperta mais preocupação é a novidade que vem da concentração de um número considerável de documentos republicados em um único livro, o do jornalista Nuzzi, que teve efeitos massivos, sobretudo negativos.
"O cardeal Bertone tem 78 anos", afirmou o cardeal. "Não há necessidade de revelações secretas para saber que a saída da Secretaria de Estado é previsível. Quanto ao resto, eu não tenho acesso à investigação. Uma equipe de cardeais foi designada semanas atrás para fazer uma investigação precisa. Portanto, é preciso esperar para que eles façam o seu trabalho".
O purpurado também ofereceu indicações programáticas sobre as estruturas eclesiásticas romanas: "A organização da Cúria tem vários séculos, e nem todas as suas funções são apropriadas para as necessidades atuais da Igreja".
Para Vingt-Trois, depois do Concílio Vaticano II e do Papa Paulo VI, haviam sido iniciados novos projetos de reforma só parcialmente realizados. Do mesmo modo, Bento XVI criou um Conselho Pontifício para a Nova Evangelização, para dar destaque às prioridades da Igreja universal. Mas o trabalho ainda é longo, e a reforma interna ainda deve se realizar.
Certamente, é necessária uma maior flexibilidade no trabalho e coordenação nas decisões. A esperança e a consciência de que alguma coisa possa mudar existem, indicou o cardeal de Paris. Todo pontificado se propõe reformas imediatas para melhorar o funcionamento da Cúria, "mas sabemos que, depois, isso não é tão fácil de se realizar".